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    Núcleo de fraudes no INSS é alvo de operação, diz presidente da CPMI

    Carlos Viana afirma que nova fase da Operação Sem Desconto atingiu o grupo central que desviava recursos de aposentadorias e pensões

    A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram, nesta quinta-feira (13), uma nova fase da Operação Sem Desconto. A ação investiga o desconto ilegal de mensalidades associativas de milhões de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo o presidente da CPMI que apura o caso, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a ofensiva atingiu o núcleo central da quadrilha.

    “Hoje, a operação colocou na cadeia o núcleo principal de todos os desvios do INSS; da quadrilha que tomou de assalto as aposentadorias brasileiras”, afirmou o senador. Ele falou antes do início da reunião da comissão, que ouviu o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis.

    De acordo com as investigações, o escritório de Eric recebeu cerca de R$ 5,1 milhões de dirigentes de entidades associativas investigadas. Além disso, a operação prendeu o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira, o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSS-MA).

    Esquema e desdobramentos

    Stefanutto é procurador federal de carreira. Ele chefiou a Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS entre 2011 e 2017. Em 2023, assumiu a presidência da autarquia por indicação do então ministro Carlos Lupi. Entretanto, foi afastado por decisão judicial no mesmo dia em que a PF deflagrou a primeira fase da Operação Sem Desconto, em abril.

    Pettersen é citado nas investigações por supostamente ter vendido um avião a uma das entidades investigadas. Já Araújo é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). Conforme a Polícia Federal, ambos teriam ligações diretas com o esquema de desvio de recursos de aposentados.

    Três escalões de corrupção

    Segundo o senador Carlos Viana, os responsáveis pelo golpe estavam divididos em três escalões.
    O primeiro era composto por políticos que recebiam pagamentos para manter servidores corruptos em cargos estratégicos.
    O segundo envolvia servidores públicos concursados que garantiam a continuidade dos desvios, atravessando diferentes governos.
    O terceiro, por sua vez, reunia operadores e “laranjas” que movimentavam o dinheiro desviado.

    “Agora queremos saber quem ajudou, quem indicou e o que receberam para que este esquema continuasse funcionando”, afirmou Viana. Por fim, ele disse que outros parlamentares também estão sendo investigados e que deverão prestar depoimento ao STF no momento oportuno.

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