Polarização define 2026: Flávio Bolsonaro cresce
A corrida presidencial de 2026 encerrou janeiro sob um sinal inequívoco: a polarização voltou ao centro do jogo político. Nesse contexto, levantamentos nacionais divulgados entre os dias 15 e 31 do mês mostram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou-se como o principal nome da direita. Ao mesmo tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na maioria dos cenários, embora com vantagem menor do que no início de 2025.
Dessa forma, os dados apontam para um ambiente eleitoral mais apertado. Enquanto isso, a distância confortável que separava Lula de seus adversários diminuiu de forma consistente. Em seu lugar, surge um quadro de “empate técnico ampliado”, marcado pela divisão do eleitorado entre a continuidade do atual governo e a possibilidade de retorno do bolsonarismo ao Planalto.
O raio-x das pesquisas nacionais
A diversidade metodológica dos institutos reforça a leitura de um país politicamente fragmentado. Por exemplo, na AtlasIntel, Lula aparece com 49% contra 45% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Apesar disso, a rejeição de ambos permanece praticamente idêntica, oscilando em torno de 49%, o que limita movimentos mais amplos de crescimento.
Por outro lado, o cenário mais favorável ao senador do PL surge na pesquisa 100% Cidades/Futura. Nela, Flávio lidera com 48,1%, enquanto Lula marca 41,9%. Segundo analistas, esse desempenho reflete o desgaste do governo com a oscilação nos preços dos alimentos e, além disso, a percepção de crise na segurança pública nas grandes capitais.
Ainda assim, outros levantamentos indicam vantagem do presidente. Na Meio/Idea, Lula alcança 46,2% frente a 36% de Flávio. Já Paraná Pesquisas e Quaest desenham um quadro mais equilibrado. Nesses casos, Lula varia entre 44% e 44,8%, enquanto o senador oscila entre 38% e 42,2%.
O fator Tarcísio e a reorganização da direita
Outro elemento passou a ganhar peso no tabuleiro eleitoral. Nos últimos dias, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deu sinais claros de que deve priorizar a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Com isso, tende a oferecer seu palanque estadual a Flávio Bolsonaro em 2026.
Na avaliação de estrategistas, a movimentação busca evitar a dispersão de votos que marcou a eleição de 2022. Naquele momento, a fragmentação da direita facilitou a vitória de Lula. Agora, o bolsonarismo demonstra que seu eleitorado segue fiel ao sobrenome Bolsonaro. Assim, Flávio aparece como herdeiro direto desse capital político, mitigando o impacto da inelegibilidade do pai.
Enquanto isso, outros nomes da direita, como o governador Ronaldo Caiado, perdem tração no cenário nacional. Esse movimento, portanto, reforça a leitura de que o campo conservador caminha para uma candidatura unificada.
Desafios e apostas do Planalto
No Palácio do Planalto, o clima é de cautela. Por um lado, a economia apresenta indicadores positivos, como o desemprego em patamares historicamente baixos. Por outro, a aprovação do governo permanece limitada. A Quaest fixou o índice em 48%, valor que ainda não rompe o núcleo duro do bolsonarismo.
Diante desse cenário, o governo aposta na aceleração das entregas do novo PAC e na estabilização do custo de vida. O objetivo, segundo aliados, é reconquistar o eleitor de centro. Atualmente, esse grupo se declara indeciso ou inclinado ao voto nulo ou branco — cerca de 13%, de acordo com a Meio/Idea.
Enquanto Flávio Bolsonaro intensifica articulações no Centrão em busca de um vice competitivo, o PT, por sua vez, trabalha para blindar sua base no Congresso. A intenção, portanto, é evitar que o custo de governar desgaste ainda mais o capital político de Lula antes do início oficial da campanha. A polarização está posta — e, desta vez, começou mais cedo.