Alego amplia estrutura administrativa e cria novas secretarias sem ampla divulgação
Com a inclusão de três novas pastas, número de secretarias sobe para 51; impacto financeiro chega a R$ 1 milhão por ano

A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) aprovou a criação de três novas secretarias, elevando o número total de 48 para 51, sem ampla divulgação pública. A medida, proposta pelo deputado estadual Coronel Adailton (SD), foi incluída por meio de uma emenda durante a tramitação de um projeto de resolução na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ).
As novas pastas – Secretaria de Patrimônio, Secretaria de Segurança Institucional e Secretaria Adjunta da Ajudância de Ordem da Presidência – somam um impacto financeiro anual estimado em R$ 1 milhão, além dos R$ 472,8 mil já previstos no texto original.
A ampliação da estrutura administrativa contrasta com o cenário do fim da gestão anterior, em dezembro de 2022, quando a Alego contava com 15 secretarias. Desde que assumiu a presidência da Casa, em fevereiro de 2023, o deputado Bruno Peixoto (União Brasil) já autorizou a criação de 170 cargos comissionados, elevando o total para 5.280. Com isso, a Alego se tornou a assembleia legislativa com o maior número de cargos comissionados do país, ultrapassando estados com maior população e orçamento.
A justificativa oficial para a mudança foi o “aperfeiçoamento da proposição”, conforme afirmou Coronel Adailton. A reportagem solicitou um posicionamento da presidência da Casa, mas não obteve resposta.
Além do custo anual com as novas secretarias, a medida também impactará a folha de pagamento da Alego com o pagamento de auxílio-alimentação para os ocupantes dos cargos criados. A ampliação de despesas ocorre em um momento em que o discurso de austeridade e contenção de gastos predomina nas esferas públicas.
A falta de transparência e o aumento de custos geram questionamentos sobre a real necessidade das novas estruturas administrativas. Enquanto isso, servidores concursados e setores essenciais seguem enfrentando restrições orçamentárias, o que intensifica o debate sobre o uso dos recursos públicos na Casa.