Daniel Vilela lidera ranking de seguidores em Goiás
Levantamento da Sólon Data compara o desempenho digital dos candidatos ao governo; professor Guilherme Carvalho afirma que números não traduzem força eleitoral
Daniel Vilela (MDB) lidera o ranking de seguidores entre os candidatos ao Governo de Goiás. Segundo levantamento da Sólon Data, referente a setembro, o emedebista soma 266 mil seguidores.
Wilder Morais (PL) ocupa a segunda posição, com 187 mil. Logo depois aparece Marconi Perillo (PSDB), com 183 mil seguidores. A diferença entre os dois candidatos é de 4 mil.
Luís Cesar Bueno (PT) ocupa o quarto lugar, com 17 mil seguidores. Luciana Amorim (UP), por sua vez, aparece na quinta posição, com 716.
Crescimento nos últimos 30 dias
Além de liderar em número de seguidores, Daniel também registrou o maior crescimento absoluto no período analisado. O candidato ganhou 8,1 mil seguidores em 30 dias.
Luís Cesar aparece na sequência, com avanço de 7,7 mil. Wilder conquistou 5,9 mil novos seguidores, enquanto Marconi somou outros 5,5 mil.
No caso de Luciana, o levantamento estima um crescimento de 239 seguidores durante o mesmo intervalo.
Os números mostram o tamanho da presença digital de cada candidatura. No entanto, o total de seguidores não informa quantas pessoas recebem as publicações ou interagem com o conteúdo.
Palanque digital não basta
Para o professor Guilherme Carvalho, o número de seguidores precisa ser analisado com cautela, principalmente em eleições para cargos majoritários.
Guilherme é internacionalista pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Além disso, é especialista em Políticas Públicas e mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atualmente, cursa doutorado em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB).
Segundo o professor, candidaturas proporcionais conseguem construir uma base digital concentrada em determinados grupos. Porém, uma disputa majoritária exige comunicação com públicos mais amplos e diferentes entre si.
“Para voto majoritário, você precisa ter palanque digital. Ele importa, mas só ele não basta”, avaliou Guilherme.
O professor também destacou que as pessoas seguem políticos por diferentes motivos. Parte do público acompanha uma conta por identificação, enquanto outra parcela pode seguir apenas para fiscalizar, contestar ou criticar.
“Alguns seguem para ver o que o candidato está falando e criticar. Isso não significa, necessariamente, que sejam seguidores apoiadores”, afirmou.
Por isso, Guilherme considera incorreto tratar toda a base de seguidores como público eleitoral. Segundo ele, seguidor, audiência e eleitor representam grupos diferentes.
“A gente não pode confundir seguidor com público, muito menos com voto”, ressaltou.
Algoritmo limita alcance das publicações
Outro ponto levantado pelo professor envolve o funcionamento dos algoritmos. Mesmo quando uma pessoa segue determinado candidato, a plataforma pode não entregar as publicações para ela.
Assim, uma conta com muitos seguidores não necessariamente alcança toda a base. Por outro lado, perfis menores podem registrar maior circulação de conteúdo entre públicos específicos.
Na avaliação de Guilherme, o ranking ajuda a acompanhar a construção do palanque digital. Entretanto, o dado precisa ser combinado com alcance, engajamento, diversidade da audiência e capacidade de comunicação fora das redes.
“É um dado complementar, em certo sentido, mas não é um dado que, por si só, consegue traduzir força política”, explicou.
Como exemplo, o professor citou Gustavo Gayer (PL), que disputa pela primeira vez um cargo majoritário. Segundo Guilherme, a mudança exige que o candidato amplie seu perfil e saia de uma comunicação concentrada apenas em determinados nichos.
A Sólon Data ressalta que o levantamento acompanha somente a performance digital dos candidatos. Portanto, os números não constituem pesquisa eleitoral nem medem intenção de voto.
