Trump volta a provocar debate e sugere possível terceiro mandato: “Não estou brincando”
Mesmo com proibição constitucional nos EUA, ex-presidente afirma à NBC que existem “métodos” para se manter no poder após dois mandatos

Durante entrevista concedida à NBC nesta quinta-feira (28), o ex-presidente Donald Trump afirmou que “não está brincando” ao cogitar a possibilidade de um terceiro mandato presidencial nos Estados Unidos. A declaração reacendeu o debate sobre limites constitucionais e os riscos democráticos de uma nova gestão sob o republicano.
“Existem métodos para fazer isso acontecer… mas é muito cedo para pensar nisso”, disse Trump ao ser questionado sobre o futuro político, sugerindo a existência de caminhos alternativos para permanecer no poder, mesmo que a Constituição dos EUA proíba explicitamente um terceiro mandato presidencial.
A fala gerou reações imediatas entre analistas políticos, parlamentares e veículos da imprensa americana, que veem na declaração um novo sinal de que o ex-presidente continua desafiando abertamente as instituições democráticas.
A Constituição é clara
Pela 22ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, aprovada em 1951, nenhum presidente pode exercer mais de dois mandatos completos. A legislação foi implementada após a presidência de Franklin D. Roosevelt, que governou por quatro mandatos consecutivos.
Especialistas apontam que, embora Trump não possa disputar um terceiro mandato consecutivo, ele está tentando capitalizar sua base eleitoral com discursos de ruptura institucional. O ex-presidente já é o favorito nas prévias republicanas para 2024 e, se eleito, seu segundo mandato terminaria em 2029.
Ambições e riscos
A entrevista reforça o tom provocativo de Trump, que já enfrenta acusações por tentativa de subversão da democracia na eleição de 2020, além de dezenas de processos judiciais. Internamente, setores do Partido Republicano avaliam com cautela a retórica do ex-presidente, temendo desgastes políticos e institucionais.
Enquanto isso, aliados de Trump afirmam que a declaração deve ser lida como “simbólica” e parte da estratégia de manter atenção pública e midiática sobre sua figura.