Quaest aponta queda na confiança em igrejas e Forças Armadas entre brasileiros
Pesquisa revela que até instituições antes vistas como pilares de credibilidade perderam confiança popular nos últimos quatro anos
Desgaste generalizado nas instituições
A confiança dos brasileiros nas principais instituições sofreu forte abalo nos últimos quatro anos. De acordo com levantamento Genial/Quaest, até igrejas e Forças Armadas, tradicionalmente vistas como referências de credibilidade, registraram queda na percepção popular.
No caso das Forças Armadas, a desconfiança cresceu dez pontos percentuais desde 2021, sobretudo entre eleitores de Jair Bolsonaro. Além disso, o movimento foi mais intenso entre 2022 e 2024, período marcado pelo desgaste após o fracasso da tentativa de ruptura institucional.
As igrejas evangélicas também sentiram o impacto. Nesse caso, a desconfiança aumentou especialmente entre eleitores de Lula. Dessa forma, o cenário se agravou no atual governo, iniciado em 2023.
STF, Congresso e partidos em crise de imagem
O Supremo Tribunal Federal (STF) continua acumulando rejeição, mas com mudança no perfil de críticos. Antes de 2023, eram eleitores de Lula os mais desconfiados da Corte. A partir de 2024, entretanto, o aumento da rejeição passou a vir de bolsonaristas e também de eleitores que se abstiveram no segundo turno de 2022.
O Congresso Nacional não escapou do desgaste. Por sua vez, entre eleitores de Lula, Bolsonaro e indecisos, a percepção negativa sobre o Legislativo cresceu de forma contínua. Enquanto isso, partidos políticos seguiram no mesmo caminho, com aumento de nove pontos percentuais na desconfiança no período.
Imprensa divide opiniões
A imprensa passou a ser alvo prioritário de desconfiança entre eleitores de Bolsonaro. Se em 2023 havia divisão nesse grupo, agora quase 60% rejeitam o trabalho jornalístico. Em contrapartida, 67% dos eleitores de Lula declaram confiança na mídia.
Polarização e risco democrático
A Quaest também revela um viés claro de percepção. Por exemplo, redes sociais, igrejas e polícias militares são mais confiáveis para a direita, enquanto STF, imprensa e a Presidência da República são vistos com maior confiança pela esquerda.
Essa polarização afeta diretamente a democracia. Segundo o estudo, a baixa confiança institucional amplia o prêmio de risco, trava investimentos e abre espaço para experiências políticas populistas e não democráticas.
Metodologia
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 12.150 pessoas entre 13 e 17 de agosto de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.