Anvisa e conselhos firmam acordo para reforçar uso seguro de ‘canetas emagrecedoras’
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e conselhos federais da área da saúde firmaram um acordo para reforçar o uso seguro de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A iniciativa envolve o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF).
O objetivo é reduzir riscos sanitários e combater práticas irregulares relacionadas aos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, indicados principalmente para diabetes e obesidade. Segundo a Anvisa, as instituições vão atuar de forma conjunta, com troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas voltadas a profissionais de saúde e à população.
A medida faz parte de um plano anunciado no início de abril. Entre as ações previstas estão o incentivo à prescrição responsável, o reforço na notificação de efeitos adversos e campanhas de orientação sobre o uso correto desses produtos.
Uso seguro
A Anvisa observa crescimento no uso desses medicamentos fora das indicações médicas. Esse movimento amplia a procura pelas chamadas canetas emagrecedoras em todo o país.
No entanto, a agência alerta que o aumento da demanda também gera irregularidades em etapas como importação, manipulação, prescrição e venda. Essas falhas, segundo o órgão, podem expor pacientes a riscos evitáveis.
Produtos irregulares
Nesta semana, a Anvisa determinou a apreensão de produtos como Gluconex e Tirzedral, divulgados na internet como medicamentos injetáveis de GLP-1. Nenhum deles possui registro ou autorização no Brasil.
De acordo com a agência, a origem desconhecida desses itens impede qualquer garantia sobre composição ou qualidade. Por isso, o uso é contraindicado em qualquer situação.
Além disso, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro apreendeu um carregamento de canetas emagrecedoras contrabandeadas do Paraguai, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Um casal foi preso em flagrante com cerca de mil frascos contendo tirzepatida, além de anabolizantes.
Risco à saúde
Em fevereiro, a Anvisa já havia emitido alerta sobre o uso indevido desses medicamentos, que incluem substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Embora aprovados para usos específicos, esses remédios exigem prescrição e acompanhamento médico. A agência destaca que há risco de efeitos adversos graves, como pancreatite aguda, que pode evoluir para quadros severos e até fatais.
A orientação é clara: pacientes devem utilizar esses medicamentos apenas conforme indicação em bula e sob supervisão de profissional habilitado.