CEI dos Fios Soltos: Goiânia não pode mais conviver com o risco de morte nos seus postes
Goiânia cresce, se moderniza e avança em diferentes áreas, mas ainda convive com um problema antigo, visível e, sobretudo, perigoso: a completa desorganização da fiação urbana. O que se vê nas ruas não é apenas um emaranhado de cabos. É um cenário de risco permanente, marcado por fios soltos, estruturas sobrecarregadas, ausência de identificação e, em muitos casos, abandono por parte de empresas que utilizam o espaço público sem o devido cuidado.
Esse problema já ultrapassou, há muito tempo, a dimensão estética. Não se trata apenas de poluição visual ou desordem urbana. Trata-se de segurança. Trata-se de vidas expostas diariamente a situações que poderiam ser evitadas. A cada fio solto, a cada cabo caído, a cidade se torna mais vulnerável e a população, mais desprotegida. Tenho afirmado, de forma direta, que Goiânia se transformou em um “ninho de guacho”. A expressão é popular, mas descreve com precisão o que enfrentamos: um ambiente desorganizado, sem controle efetivo e sem responsabilização clara. Essa realidade não pode mais ser naturalizada.
A morte da adolescente Nathaly Rodrigues do Nascimento evidencia, de forma dolorosa, a gravidade desse cenário. Ao sofrer uma descarga elétrica enquanto saía do trabalho, em um dia de chuva, Nathaly se tornou vítima de uma estrutura que falhou em protegê-la. Não se trata de um caso isolado, tampouco de uma fatalidade inevitável. Trata-se de uma consequência direta da negligência e da ausência de organização no uso da infraestrutura urbana.
Diante desse contexto, a criação da Comissão Especial de Inquérito dos Fios Soltos surge como uma resposta necessária e urgente. Instalada em 25 de novembro, a CEI avançou de forma consistente na apuração dos fatos, reunindo documentos, ouvindo representantes de empresas, órgãos públicos e especialistas, além de analisar as normas vigentes e a forma como vêm sendo, ou não, cumpridas.
Ao longo desse período, o que se consolidou foi um diagnóstico preocupante. Há falhas evidentes na fiscalização, fragilidades na regulação e, em muitos casos, desrespeito às regras por parte de empresas que utilizam os postes públicos sem o devido compromisso com a segurança. Trata-se de um cenário que evidencia desorganização, ausência de controle efetivo e uma preocupante tolerância com práticas irregulares. Os postes são bens públicos. O espaço urbano pertence à população. Não pode haver permissividade diante de um uso desordenado que coloca vidas em risco. A responsabilidade precisa ser clara, assumida e, acima de tudo, cobrada.
A CEI se aproxima de sua fase final com a responsabilidade de apresentar respostas concretas à sociedade. Não se trata de um movimento político circunstancial, nem de uma investigação que se encerrará sem consequências. O trabalho desenvolvido até aqui aponta para a necessidade de medidas firmes, que envolvem responsabilização, fortalecimento da fiscalização e reorganização efetiva da rede de fiação.
É preciso afirmar com clareza: não haverá omissão. A CEI dos Fios Soltos não terminará sem resultados. A população de Goiânia não pode mais conviver com promessas vazias diante de um problema que já demonstrou seu potencial letal. O compromisso é entregar encaminhamentos concretos, capazes de transformar a realidade hoje enfrentada pela cidade. Mais do que apontar falhas, é necessário corrigir rumos e garantir que situações como a que vitimou Nathaly não voltem a se repetir.
Goiânia não pode continuar tratando como rotina aquilo que representa risco diário. Cada fio solto é uma ameaça. Cada cabo abandonado é um sinal de negligência. E cada dia sem solução mantém a população exposta. A CEI dos Fios Soltos é uma resposta institucional a essa realidade. E será, sobretudo, um ponto de virada na forma como a cidade enfrenta esse problema.
