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    CREA cobra e entrega pouco, avalia candidata à presidência

    A engenheira civil e candidata à presidência do CREA-GO, Tatiana Jucá, afirmou que o conselho cobra dos profissionais, mas entrega pouco em contrapartida. A avaliação foi feita em entrevista no podcast Domingos Conversa desta segunda-feira (20), ao comentar o modelo atual de atuação da entidade.

    De acordo com Tatiana, a percepção de que o CREA atua mais como órgão arrecadador do que como representante da categoria tem se consolidado entre os profissionais. “O CREA hoje está sendo visto como um órgão cartorário, um órgão burocrático, que só leva o valor da anuidade”, disse ao jornalista Domingos Ketelbey. “O profissional paga e não vê retorno.”

    A candidata afirma que o distanciamento não se limita à capital. “O CREA se distanciou do profissional”, declarou. “E não se afastou só aqui na capital, no interior também.” Para ela, o modelo atual reforça uma atuação mais punitiva do que orientativa, o que contribui para o desgaste da relação com a base.

    Ao tratar da cobrança, Tatiana descarta a possibilidade de extinguir a anuidade, mas reconhece o peso financeiro sobre os profissionais. “Anuidade zero não existe”, afirmou. “O conselho precisa de recurso para funcionar, para fiscalizar, para chegar onde não tem profissional.” Ainda assim, ela defende mudanças. “A gente pode, sim, adotar medidas de descontos ou de retribuição daquilo para o profissional.”

    Segundo a candidata, a revisão depende de diálogo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), responsável por definir as regras. “A gente precisa levar essa discussão para o Confea”, disse. “Hoje o profissional paga anuidade, paga ART a cada serviço, paga imposto. Isso pesa e onera.”

    Como proposta, Tatiana defende reequilibrar a relação entre cobrança e retorno. “O CREA precisa voltar a ser um prestador de serviço do profissional”, afirmou. “Não dá para ser só um órgão que cobra. Ele precisa entregar.”

    Goiânia cresceu sem adaptar infraestrutura à nova realidade

    Ao analisar os problemas recorrentes da capital, Tatiana Jucá afirma que Goiânia não acompanhou, em termos de infraestrutura, o ritmo do próprio crescimento. “A Marginal Botafogo foi pensada para uma cidade com cerca de 900 mil habitantes. Hoje nós temos um milhão e meio ou mais só na capital”, disse.

    Segundo ela, o aumento da população e da área impermeabilizada agravou o escoamento da água e expôs limites de projetos antigos. “O fluxo aumentou, a área impermeabilizada aumentou. Isso impacta diretamente na drenagem”, afirmou. Para a candidata, sem atualização estrutural e planejamento de longo prazo, a cidade tende a repetir os mesmos problemas, ano após ano.

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