Uma audiência pública marcada para esta quinta-feira (30) vai reunir vítimas do acidente com o Césio-137 em Goiânia. O encontro ocorre às 18h, no Setor Aeroporto, no local onde funcionava o ferro-velho de Devair Alves Ferreira.
Além disso, o evento busca resgatar relatos que, segundo a Associação das Vítimas do Césio-137, não apareceram na série “Emergência Radioativa”, da Netflix. Por isso, a audiência das vítimas do Césio-137 em Goiânia pretende colocar sobreviventes e familiares no centro da memória sobre a tragédia.
Vítimas do Césio-137 em Goiânia
A audiência recebeu o nome de “A verdade que a Netflix não te contou sobre a tragédia do Césio-137”. Nesse sentido, o objetivo é reunir sobreviventes e familiares em um momento de escuta e memória coletiva.
“Muitas vezes a ficção deixa passar detalhes importantes. Nesta quinta-feira, teremos um encontro especial para resgatar a verdade sobre a tragédia do Césio-137 através das vozes das próprias vítimas”, afirmou Fabrício Rosa.
O acidente
O acidente ocorreu em 13 de setembro de 1987. Naquele dia, catadores retiraram um aparelho de radioterapia abandonado de uma clínica desativada no Centro de Goiânia. Depois disso, venderam o equipamento ao ferro-velho de Devair Alves Ferreira, onde a cápsula foi aberta.
O material radioativo brilhava em tom azulado no escuro. Por causa disso, moradores manusearam a substância sem saber do risco. Crianças também tiveram contato com o pó contaminado.
A tragédia mobilizou uma das maiores operações de saúde pública do país. Ao todo, 112,8 mil pessoas passaram por monitoramento. Desse total, 249 apresentaram algum nível de contaminação e 129 precisaram de acompanhamento médico.
Quatro pessoas morreram por exposição direta à radiação. Entre elas estava Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que se tornou símbolo do acidente. Além dela, morreram Maria Gabriela Ferreira, Israel Baptista dos Santos e Admilson Alves de Souza.
Marcas até hoje
Quase quatro décadas depois, mais de mil pessoas ainda fazem acompanhamento no Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), em Goiânia.
A escolha do endereço também tem peso simbólico. Afinal, foi no Lote 30 da antiga Rua 26-A que a substância começou a se espalhar pela cidade. Portanto, realizar a audiência nesse espaço funciona como gesto de memória e reconhecimento.
Netflix e memória
A série “Emergência Radioativa”, da Netflix, trouxe o caso de volta ao debate nacional. No entanto, a AVCésio afirma que a ficção não substitui os relatos reais de quem viveu a tragédia.
Por esse motivo, a audiência pretende ouvir sobreviventes e familiares. Assim, a proposta é mostrar o que aconteceu em setembro de 1987 e, sobretudo, o que ainda acontece na vida dessas pessoas.
Reparação pendente
Em março deste ano, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou o reajuste das pensões das vítimas. Com isso, os valores passaram de R$ 1.908 para R$ 3.242 aos radiolesionados diretos. Já os demais beneficiários passaram de R$ 954 para R$ 1.621.
Apesar disso, Fabrício Rosa afirma que a correção ainda não resolve a dívida histórica. Segundo ele, o reajuste é necessário, mas não cobre os traumas, os problemas de saúde e a dimensão humana do acidente.
Além disso, os sobreviventes ainda convivem com marcas físicas e emocionais. Há casos de cicatrizes permanentes, mutilações e sequelas psicológicas que atravessam gerações.
Serviço
Audiência pública “A verdade que a Netflix não te contou sobre a tragédia do Césio-137”
Data: quinta-feira (30/4)
Horário: 18h
Local: Rua Francisca Costa Cunha D. Tita, Quadra Z, Lote 30, Setor Aeroporto, Goiânia
Realização: Associação das Vítimas do Césio-137
Apoio: vereador Fabrício Rosa (PT)
