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    Empresas abertas por jovens em Goiás aumentam mais de 1000% em 6 anos

    Dados do Sebrae-GO mostram avanço de negócios liderados por jovens entre 18 e 29 anos; MEIs representam 90% do total

    O número de empresas abertas por jovens em Goiás passou de 9 mil em 2020 para 142 mil em 2026. Com isso, o estado registrou crescimento superior a 1.470% no período, segundo dados do Sebrae-GO.

    Na média, 25 mil novos empreendimentos liderados por jovens entre 18 e 29 anos surgiram por ano em Goiás. Portanto, o levantamento ajuda a mostrar como essa faixa da população tem buscado mais espaço na economia por meio do próprio negócio.

    Perfil dos negócios

    A maioria dos jovens empreendedores começa em estruturas pequenas. Segundo o Sebrae-GO, 90% dos jovens empresários são Microempreendedores Individuais, os MEIs.

    Além disso, os negócios se concentram principalmente nos setores de serviços e comércio. O setor de serviços representa 61% do total. Já o comércio responde por 29%.

    Entre as atividades mais comuns estão promoção de vendas, serviços de beleza e varejo de roupas e acessórios. Dessa forma, o levantamento mostra que muitos jovens entram no mercado por áreas de menor custo inicial.

    Goiânia lidera

    Goiânia lidera em número absoluto de empresas abertas por jovens. A capital soma 24.489 estabelecimentos comandados por pessoas nessa faixa etária.

    Esse total representa 7% dos negócios da cidade. No entanto, em termos percentuais, Águas Lindas aparece na frente, com 12% dos empreendimentos nas mãos de jovens. Em seguida, vem Aparecida de Goiânia, com 10%.

    Tendência nacional

    Os dados de Goiás acompanham uma tendência nacional. De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor, conhecido como GEM, 33,4% das empresas brasileiras são pequenos negócios liderados por pessoas entre 18 e 34 anos.

    Além disso, o relatório mostra que 49,8% da população adulta brasileira deseja empreender nos próximos três anos. Esse percentual equivale a 47 milhões de pessoas.

    Desse total, 41,6% são jovens entre 18 e 34 anos. Por isso, o empreendedorismo aparece como uma das principais apostas das novas gerações.

    Sonho dos jovens

    O GEM também aponta que ter o próprio negócio já é o terceiro principal sonho dos brasileiros. O desejo fica atrás apenas da casa própria e de viajar pelo país.

    Por outro lado, construir uma carreira sólida na iniciativa privada, como empregado, aparece apenas em 9º lugar no ranking. Para o economista Marcos Antônio Teodoro, esse movimento reflete mudanças no mercado de trabalho.

    “O cenário é de uma média salarial baixa e muitas exigências, tanto na fase da contratação, onde há muita concorrência, quanto na execução das tarefas. Isso torna a possibilidade de abrir o próprio negócio muito atrativa”, analisa.

    Inovação e resiliência

    Ainda segundo Teodoro, os jovens tendem a consolidar essa tendência nos próximos anos. Isso ocorre porque essa faixa da população costuma ter mais ousadia, dinamismo e capacidade de adaptação.

    “Os jovens tendem a ser mais ousados, têm perfil mais dinâmico e possuem maior adaptabilidade. Conseguem realizar com mais rapidez tanto a mudança de foco de um negócio já estabelecido quanto a transposição de uma atividade quando é necessário. Isso faz deles os empreendedores por excelência”, afirma.

    Um exemplo desse perfil é o empresário Felipe Mabel, de 41 anos, que atua na indústria de alimentos. Ele começou a empreender aos 24 anos, como fisioterapeuta, com um pequeno negócio de lounges itinerantes de massagem, descanso e beleza em festas.

    Depois disso, Mabel avançou para outro setor. Em 2020, abriu uma distribuidora da indústria de sorvetes Soul Gelato e, posteriormente, tornou-se sócio da fábrica.

    Segundo ele, a primeira experiência foi decisiva para aprender gestão de pessoas, fluxo de caixa, controle de resultados e definição de metas. Portanto, para quem começa cedo, a combinação entre coragem e resistência pode fazer diferença.

    “Você tem que pensar fora da caixa o tempo todo. Tem que inovar, fazer diferente do resto da concorrência. E tem que ter energia para fazer frente às dificuldades, que são inúmeras no início. Nesse sentido, a energia que temos na juventude faz toda a diferença. Ela é um ativo inestimável”, conclui.

    Crédito das fotos: Mantovani Fernandes

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