Deputada defende bloquear bilheteria de filme sobre Bolsonaro se houver dinheiro do Banco Master
Adriana Accorsi afirma que receitas de Dark Horse devem ser usadas para ressarcir prejudicados caso a Justiça confirme ligação com recursos investigados
A deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) defendeu que a Justiça bloqueie a bilheteria e as receitas do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, caso as investigações confirmem o uso de dinheiro ligado ao Banco Master.
Em nota ao Transmissão Política, Adriana afirmou que o caso exige fiscalização, transparência e atuação dos órgãos competentes. Segundo ela, se a apuração comprovar investimento ligado ao Master ou a estruturas financeiras investigadas, os valores arrecadados pelo filme devem ajudar no ressarcimento dos prejudicados.
Pedido milionário
Segundo a deputada, o site The Intercept Brasil informou que Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar a produção. Além disso, de acordo com a nota, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos pelo ex-controlador do Banco Master.
Para Adriana, o caso não pode receber tratamento de simples investimento privado. A parlamentar afirma que a Polícia Federal investiga um grande esquema de fraudes financeiras envolvendo Vorcaro e o Banco Master.
De acordo com a deputada, as suspeitas envolvem bilhões de reais de institutos de previdência pública ligados a prefeituras e estados. Portanto, ela defende uma apuração mais ampla sobre a origem dos recursos usados no projeto.
“Portanto, não é dinheiro privado e lícito. É dinheiro público desviado”, afirmou Adriana Accorsi.
Investigação no STF
Adriana também citou que órgãos como a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF) já receberam pedidos de investigação sobre o caso.
Segundo a deputada, PT e PSol protocolaram pedidos para investigar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro. As solicitações miram possíveis crimes como tráfico de influência e corrupção.
Além disso, Adriana afirmou que o STF enviou à PGR uma solicitação do PT que cita Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, todos do PL. A apuração busca verificar uma possível conexão entre repasses de Vorcaro e atividades políticas da família Bolsonaro.
Bloqueio da bilheteria
Na avaliação de Adriana, a bilheteria de Dark Horse deve entrar no alcance da Justiça se os investigadores confirmarem vínculo com recursos sob suspeita.

A deputada defende que a Justiça preserve as receitas do filme para um eventual ressarcimento. Dessa forma, os valores poderiam ajudar investidores, credores e beneficiários de fundos públicos afetados pelo caso Banco Master.
“Comprovado o investimento ligado ao Banco Master ou a estruturas financeiras investigadas, defendemos que a bilheteria e as receitas do filme sejam alvo de bloqueio judicial para eventual ressarcimento aos prejudicados com a intermediação dos órgãos competentes”, declarou.
Com isso, Adriana sustenta que o filme não pode ficar fora das investigações. Para ela, os contratos, a origem dos recursos e as condições de retorno financeiro precisam ficar claros.
CPMI do filme
Adriana Accorsi também defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o financiamento de Dark Horse.
O requerimento da CPMI partiu do deputado federal Rogério Correia (PT-MG). A comissão pretende apurar possíveis irregularidades relacionadas à produção cinematográfica sobre Bolsonaro.
Entre os pontos da investigação estão indícios de uso de recursos de origem ilícita. Além disso, a CPMI mira eventual emprego de dinheiro público, inclusive emendas parlamentares.
Por fim, Adriana afirmou que a apuração precisa esclarecer a origem dos recursos, os contratos firmados e as condições de retorno financeiro. A comissão também deve investigar se o financiamento do filme tem relação com o esquema ligado ao Banco Master.