Justiça manda prender jornalista perseguido por Carla Zambelli
Decisão converteu condenação por difamação em pena de prisão em regime aberto
O juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo, determinou a prisão do jornalista Luan Araújo em regime aberto. O caso envolve o episódio de outubro de 2022, quando Carla Zambelli perseguiu Araújo com uma arma pelas ruas da capital paulista.
A decisão ocorreu porque o jornalista não pagou uma indenização por difamação à então deputada federal. Além disso, com multas e custas processuais, o valor atualizado passa de R$ 2,2 mil.
Conversão da pena
Segundo a decisão, a Justiça intimou Araújo, mas ele não cumpriu a prestação pecuniária. Por isso, o magistrado converteu a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade.
Zambelli processou o jornalista após a publicação de um texto com críticas à parlamentar. No processo, a Justiça afastou a acusação de injúria. No entanto, manteve a condenação por difamação.
Caso de 2022
O episódio ocorreu dias antes do segundo turno da eleição presidencial de 2022. Na ocasião, Zambelli e Araújo discutiram nas ruas de São Paulo.
Depois do bate-boca, a então deputada sacou um revólver e perseguiu o jornalista. A ação também entrou em uma lanchonete. Como pessoas que passavam pelo local gravaram a cena, o caso ganhou ampla repercussão nacional.
Condenação de Zambelli
Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal condenou Carla Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão pelo episódio. A Corte considerou a ex-parlamentar culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
Além disso, Zambelli recebeu outra condenação, de 10 anos de prisão, no caso da invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça. Segundo a sentença, ela atuou como mentora da ação.
Situação na Itália
Antes de cumprir a pena anterior, Zambelli deixou o Brasil e foi para a Itália. Com isso, o governo brasileiro pediu a extradição da ex-deputada.
O pedido avançou nas primeiras instâncias da Justiça italiana. No entanto, a Corte de Apelação de Roma cassou a decisão em maio.