Vanderlan defende escala 5×2, mas quer contratação por hora
Proposta abre debate sobre renda, direitos trabalhistas e flexibilização de contratos.
O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) afirmou que apoia o fim da escala 6×1, mas quer incluir a contratação por hora no novo modelo de jornada. Em entrevista ao apresentador Domingos Ketelbey, o parlamentar disse que pretende apresentar uma emenda quando a proposta chegar ao Senado.
Segundo Vanderlan, a mudança para a escala 5×2 teria pouco impacto em suas empresas. Isso porque parte dos funcionários já trabalha de segunda a sexta-feira, em regime presencial ou de home office.
Consulta interna
O senador afirmou que uma pesquisa feita com funcionários de suas empresas apontou apoio de 87% à escala 5×2. Já os outros 13% demonstraram preocupação com o aumento dos custos e com a capacidade de adaptação dos negócios.
Além disso, Vanderlan disse que suas empresas investiram em automação. Dessa forma, avalia que a redução da jornada não provocaria grandes alterações na operação.
Contrato por hora
Apesar de apoiar dois dias de descanso por semana, Vanderlan defende que o trabalhador possa escolher entre a CLT tradicional e um contrato baseado nas horas efetivamente trabalhadas.
“Não podemos falar em modernização sempre só dando opção de CLT. Nós temos que dar outra opção”, declarou.
Como exemplo, o senador citou uma empresa que manteve nos Estados Unidos durante sete anos. Segundo ele, o negócio contratava trabalhadores disponíveis quando surgiam pedidos acima da capacidade normal de produção.
Na avaliação de Vanderlan, a contratação por hora permitiria que uma pessoa dividisse o dia entre diferentes atividades. Assim, o trabalhador poderia atuar algumas horas em uma empresa e dedicar o restante do período a serviços por aplicativo ou a um negócio próprio.
PEC alternativa
A declaração reforça a posição adotada pelo senador na discussão sobre jornada de trabalho. Conforme mostrou o Transmissão Política, Vanderlan e Wilder Morais (PL-GO) assinaram a PEC 12/2026, apresentada por Rogério Marinho (PL-RN).
A proposta permite que empregado e empregador estabeleçam um regime baseado nas horas trabalhadas. Nesse modelo, salário, férias, 13º e FGTS seriam calculados proporcionalmente.
Vanderlan afirmou que não concorda com todo o conteúdo da PEC. No entanto, considera que o trecho sobre a contratação flexível pode ser incorporado à proposta da escala 5×2.
Críticas ao modelo
Pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp contestam a medida. Em artigo publicado neste mês, José Dari Krein e Marilane Teixeira afirmam que o modelo pode aumentar a instabilidade da renda e enfraquecer a negociação coletiva.
Segundo os pesquisadores, o valor de cada hora respeitaria o salário mínimo ou o piso da categoria. Porém, o rendimento mensal poderia ficar abaixo desses valores caso a empresa oferecesse poucas horas de serviço.
Com isso, férias, 13º salário, FGTS e contribuições previdenciárias também seriam menores. Além disso, eles argumentam que o modelo transfere ao trabalhador o risco dos períodos de baixa demanda, atualmente assumido pelas empresas.
Debate no Senado
Vanderlan sustenta que a contratação por hora ampliaria as opções disponíveis sem retirar o direito de quem preferir continuar na CLT tradicional.
Agora, o debate no Senado deverá definir se o fim da escala 6×1 avançará apenas com a jornada 5×2 e a manutenção dos salários ou se também abrirá espaço para contratos mais flexíveis.