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    Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz e eleva tensão antes de negociação com EUA

    Teerã acusa Israel de violar cessar-fogo no Líbano; governo americano contesta fechamento e diz que navios continuam passando pela rota estratégica

    Navios petroleiros cruzam o Estreito de Ormuz em meio à tensão entre Irã, Israel e Estados Unidos.

    O Irã anunciou neste sábado (20) o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo no mundo, em resposta aos novos ataques de Israel no sul do Líbano. A decisão aumenta a tensão no Oriente Médio às vésperas de uma nova rodada de negociações entre iranianos e norte-americanos na Suíça.

    Segundo Teerã, a medida ocorre porque Israel teria descumprido compromissos previstos em um memorando assinado nesta semana entre o Irã e os Estados Unidos. O documento previa a redução das hostilidades na região e a reabertura do Estreito de Ormuz durante um período inicial de negociação.

    Apesar do anúncio iraniano, os Estados Unidos contestaram a versão de Teerã. O Comando Central americano afirmou que 55 navios mercantes cruzaram o estreito neste sábado, transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo. Além disso, Washington disse que continuará atuando para garantir a navegação na região.

    Negociações

    A crise ocorre no momento em que uma delegação de alto nível do Irã segue para a Suíça para conversas com representantes dos Estados Unidos. O grupo iraniano inclui autoridades ligadas à diplomacia, segurança, Banco Central e setor petrolífero. Pelo lado americano, o vice-presidente JD Vance também deve participar das tratativas.

    As negociações fazem parte de um acordo provisório de 14 pontos, mediado pelo Paquistão, para tentar encerrar quase quatro meses de guerra. O memorando também prevê um prazo de 60 dias para conversas sobre temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano e a segurança regional.

    Na sexta-feira (19), o Irã havia informado que isentaria, por 60 dias, taxas ligadas ao uso do Estreito de Ormuz durante o período de negociação. Mesmo assim, Teerã exigia que embarcações apresentassem pedidos de trânsito com pelo menos 48 horas de antecedência.

    Líbano

    O ponto mais delicado, porém, continua sendo o Líbano. O Irã afirma que o fim dos ataques israelenses contra o Hezbollah faz parte dos compromissos firmados no acordo com os Estados Unidos. Já Israel diz que reagiu a disparos feitos pelo grupo libanês.

    A Defesa Civil do Líbano informou que 16 pessoas morreram em ataques israelenses neste sábado. A agência estatal libanesa também relatou bombardeios no sul do país e no Vale do Bekaa, áreas onde o Hezbollah mantém forte presença.

    Com isso, o cessar-fogo segue frágil. Enquanto Teerã usa a pressão sobre o Estreito de Ormuz para cobrar cumprimento do acordo, Washington tenta mostrar que a rota continua aberta e que as negociações na Suíça ainda podem avançar.

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