Cerrado pode ser maior aliado de Goiânia na prevenção dos efeitos do Super El Niño
Engenheiro defende uso de espécies nativas, manutenção constante e soluções adaptadas ao clima da capital
O Cerrado contra Super El Niño pode se tornar uma das principais estratégias de adaptação climática em Goiânia, segundo o engenheiro Idalino Hortêncio. Para ele, a agenda de ações preventivas anunciada pela Prefeitura precisa considerar a vegetação nativa e a manutenção permanente das estruturas.
A avaliação ocorre em meio ao debate sobre os efeitos do Super El Niño nas cidades. Além disso, a Prefeitura divulgou ações como a instalação de 100 jardins de chuva e a ampliação de corredores sustentáveis, com quase 6,5 quilômetros a mais de cobertura em parques lineares.
Adaptação
Para Idalino, as medidas representam um avanço. No entanto, ele afirma que a implantação precisa vir acompanhada de manutenção constante.
Segundo o engenheiro, jardins de chuva, pavimentos permeáveis, telhados verdes e áreas de sombreamento ajudam a ampliar a drenagem urbana e a preservar os lençóis freáticos.
Além disso, ele cita experiências internacionais, como as chamadas ruas climáticas de Copenhague, na Dinamarca, que combinam soluções verdes com materiais urbanos preparados para enfrentar calor e chuvas intensas.
Flora nativa
O engenheiro defende que Goiânia use melhor as espécies do Cerrado.
Segundo ele, a vegetação nativa tem maior capacidade de adaptação à variação climática local. Isso importa porque a capital enfrenta longos períodos de seca e, ao mesmo tempo, pode registrar chuvas fortes em poucos dias durante a estação chuvosa.
Dessa forma, o Cerrado contra Super El Niño não seria apenas uma escolha paisagística, mas também uma medida de planejamento urbano.
Espécies
Idalino afirma que cada espécie deve cumprir uma função dentro do projeto.
Em parques e áreas maiores, árvores como buriti, ipê-amarelo e ingá podem ajudar na recomposição ambiental. O buriti se adapta bem a áreas próximas de rios e regiões úmidas. Já o ipê-amarelo tem raízes profundas e pode favorecer a retenção no solo. Além disso, o ingá cresce rápido, forma copa ampla e pode contribuir para matas ciliares.
Por outro lado, projetos menores, como jardins de chuva, exigem espécies de menor porte. Nesse caso, o engenheiro cita o murici, o capim-rabo-de-raposa e o capim-flecha como exemplos de plantas que podem ajudar na infiltração, retenção ou condução da água.
Manutenção
Apesar da importância das obras, Idalino afirma que a falta de manutenção pode comprometer os resultados.
Segundo ele, estruturas verdes precisam de acompanhamento técnico depois da implantação. Caso contrário, jardins de chuva podem perder eficiência, espécies inadequadas podem morrer e áreas pensadas para drenagem podem se degradar com o tempo.
Além disso, o engenheiro alerta que projetos paisagísticos precisam respeitar o comportamento natural das plantas. Ele cita o ipê-amarelo como exemplo, já que a espécie depende de escassez hídrica para florescer e pode sofrer quando recebe rega constante no período seco.
Engenharia
Candidato à presidência do Crea-GO, Idalino também defende maior participação de engenheiros ambientais, civis e outros profissionais técnicos na formulação de políticas urbanas.
Para ele, obras de adaptação climática precisam sair do improviso e entrar no planejamento de longo prazo. Nesse sentido, projetos ligados à drenagem, arborização e recomposição de áreas verdes devem funcionar como política de Estado.
Por fim, o engenheiro afirma que o Cerrado contra Super El Niño pode ajudar Goiânia a construir uma cidade mais resistente às mudanças climáticas, desde que as ações combinem espécies adequadas, manutenção contínua e planejamento técnico.