EUA dão negociação por encerrada e confirmam tarifaço ao Brasil
Representante comercial americano encaminhou a Donald Trump a recomendação final sobre a sobretaxa de 25%, que pode alcançar 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos
Os Estados Unidos consideram encerrada a atual rodada de negociações comerciais com o Brasil e devem avançar com novas tarifas sobre produtos brasileiros.
O representante comercial americano, Jamieson Greer, informou a interlocutores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que encaminhou a Donald Trump a recomendação final sobre o chamado tarifaço.
A proposta elaborada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, prevê uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras.
Segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o tarifaço dos EUA ao Brasil pode atingir aproximadamente 21% das exportações nacionais destinadas ao mercado americano.
Esse percentual representa a parcela das vendas brasileiras que poderá ser afetada. Portanto, não corresponde ao valor da tarifa aplicada aos produtos.
Decisão de Trump
A recomendação ainda precisa ser formalizada pelo governo dos Estados Unidos.
Dessa forma, caberá a Trump manter a proposta do USTR ou fazer alterações antes da publicação da medida.
Além disso, ainda não há confirmação sobre a data exata de entrada em vigor das novas tarifas.
Embora considere encerrada a negociação antes do anúncio, Greer sinalizou que o governo americano poderá ampliar a relação de produtos isentos.
No entanto, ele descartou a criação de uma “lista dinâmica”, mecanismo usado em 2025 para incluir novas exceções ao longo da aplicação das tarifas.
Investigação comercial
O USTR havia estabelecido esta quarta-feira (15) como prazo para concluir o processo aberto com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
No início de junho, o órgão classificou determinadas políticas brasileiras como “irrazoáveis” e afirmou que elas prejudicariam empresas dos Estados Unidos.
A investigação envolve temas como comércio digital, meios eletrônicos de pagamento e tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a outros países.
Além disso, o processo analisa questões relacionadas à propriedade intelectual, ao acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e ao combate ao desmatamento ilegal.
Produtos preservados
A proposta inicial já excluía produtos considerados estratégicos para os Estados Unidos ou cuja oferta interna seria insuficiente.
Entre as mercadorias preservadas estavam café, carne bovina, metais, produtos de energia, peças de aeronaves e algumas frutas.
Por outro lado, setores brasileiros de maior valor agregado podem enfrentar impactos mais relevantes.
A relação inclui máquinas e equipamentos, produtos de plástico e madeira, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos.
Assim, a lista definitiva de exceções será determinante para medir o impacto sobre cada segmento da economia brasileira.
Governo mantém diálogo
Apesar do encerramento desta etapa, o governo Lula pretende manter os canais diplomáticos abertos com Washington.
A estratégia será buscar novas exceções e reduzir o alcance do tarifaço dos EUA ao Brasil depois do anúncio formal.
Nos últimos dias, técnicos brasileiros realizaram reuniões com representantes do USTR.
O governo também tentou promover um encontro de nível mais elevado com Jamieson Greer antes do fim do prazo. Entretanto, as conversas não produziram um acordo.
Embora não espere mais uma suspensão completa da medida, o Brasil ainda pretende negociar mudanças na lista de produtos atingidos.
Comércio bilateral
Os Estados Unidos estão entre os principais parceiros comerciais do Brasil.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado americano caíram 13% e somaram US$ 17,43 bilhões.
No mesmo período, o Brasil importou US$ 18,95 bilhões em produtos dos Estados Unidos.
Como resultado, a balança comercial bilateral registrou déficit brasileiro de US$ 1,52 bilhão.
Agora, o governo aguarda a publicação da decisão americana para avaliar medidas de apoio aos setores atingidos e definir os próximos passos da relação comercial com Washington.