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    Petróleo supera US$ 100 após ataques no Mar Vermelho

    Ações contra navios sauditas ampliam a crise no Oriente Médio e ameaçam duas rotas estratégicas; alta pode pressionar combustíveis e inflação no Brasil

    O petróleo acima de US$ 100 voltou ao centro das preocupações econômicas nesta quinta-feira (23). Ataques contra dois navios sauditas ampliaram os riscos ao abastecimento mundial de energia.

    O barril do Brent, referência internacional, ultrapassou temporariamente a marca de US$ 100. Esse foi o maior valor registrado em quase dois meses.

    Além disso, o petróleo norte-americano WTI superou US$ 90. A alta ocorreu enquanto investidores avaliavam possíveis interrupções simultâneas no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz.

    Nova tensão

    O movimento rebelde houthi, do Iêmen, assumiu os ataques contra dois petroleiros da Arábia Saudita. As ações ocorreram nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb.

    Essa passagem conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Portanto, representa uma rota importante para navios que utilizam o Canal de Suez nas viagens entre Ásia e Europa.

    Os houthis também anunciaram um bloqueio contra embarcações sauditas. Entretanto, ainda não está claro se o grupo possui capacidade para interromper completamente o tráfego marítimo.

    Mesmo assim, companhias de navegação começaram a rever rotas e protocolos de segurança. Um desvio pelo sul da África aumenta o tempo de viagem, o consumo de combustível e os custos de frete.

    Restrições em Ormuz

    A escalada no Mar Vermelho ocorre enquanto o Estreito de Ormuz já enfrenta limitações. Antes do atual conflito, aproximadamente 20% do petróleo mundial passava pela região.

    O Irã afirma que controla o tráfego pela passagem e declarou que a rota permanece fechada sem sua autorização. Contudo, embarcações ainda realizam travessias sob condições restritas e com apoio militar.

    Nesta quinta-feira, os Estados Unidos completaram a 12ª noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos. Washington afirma que as ações buscam reduzir a capacidade do Irã de ameaçar navios comerciais.

    Teerã, por outro lado, considera as operações norte-americanas uma agressão militar. Além disso, o governo iraniano mantém ataques contra instalações dos Estados Unidos e de seus aliados na região.

    As posições continuam distantes. Dessa forma, as tentativas diplomáticas ainda não produziram um acordo capaz de restabelecer a navegação regular.

    Trump promete resposta

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma nova resposta militar após os ataques aos petroleiros sauditas. Além disso, responsabilizou o Irã pelas ações dos houthis.

    O governo iraniano mantém relações políticas e militares com o grupo do Iêmen. Entretanto, Teerã costuma negar que controle diretamente todas as decisões dos rebeldes.

    A declaração de Trump elevou as preocupações com uma nova expansão do conflito. Isso ocorre porque a Arábia Saudita figura entre os maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo.

    Além disso, uma interrupção mais ampla atingiria simultaneamente dois pontos essenciais do transporte marítimo. Consequentemente, produtores teriam dificuldade para substituir rapidamente os volumes afetados.

    Mercado sob pressão

    O avanço das cotações também reflete a redução dos estoques e as limitações das rotas alternativas. Os oleodutos existentes não possuem capacidade suficiente para substituir todo o fluxo marítimo.

    Segundo a Reuters, analistas do Goldman Sachs avaliam que o Brent poderá ultrapassar US$ 120 caso as interrupções persistam. Contudo, essa projeção depende da duração e da intensidade do conflito.

    Uma negociação que garanta a passagem dos navios poderia reduzir os preços. Por outro lado, novos ataques contra embarcações ou instalações energéticas aumentariam o risco de outra disparada.

    O diesel internacional também enfrenta pressão. As margens de refino na Europa alcançaram níveis elevados devido à combinação entre a guerra no Oriente Médio e as restrições na oferta russa.

    Com isso, o petróleo acima de US$ 100 aumenta a preocupação com novos impactos sobre combustíveis, transportes e preços ao consumidor.

    Impactos no Brasil

    A alta internacional não chega automaticamente aos postos brasileiros. A Petrobras considera diferentes fatores antes de alterar seus preços, incluindo custos, câmbio e condições do mercado interno.

    Entretanto, o Brasil importa parte do diesel consumido no país. Estimativas apresentadas durante a crise indicaram uma dependência externa próxima de 30%.

    Por isso, distribuidores privados ficam mais expostos às mudanças no preço internacional e no dólar. A pressão pode aparecer primeiro nas negociações de importação e nos custos logísticos.

    O diesel possui peso importante no transporte rodoviário, na agricultura e na indústria. Consequentemente, uma alta prolongada poderá alcançar fretes, alimentos e outros produtos.

    Em março, a crise anterior em Ormuz já provocou aumento nos custos enfrentados pelo agronegócio brasileiro. Naquele período, produtores relataram reajustes regionais e dificuldades pontuais na oferta.

    Além disso, o Banco Central apontou o conflito no Oriente Médio como uma fonte de incerteza para a inflação. Uma nova alta do petróleo poderá influenciar as próximas projeções, embora o efeito dependa da duração do choque.

    Ao mesmo tempo, o Brasil é exportador de petróleo bruto. Portanto, preços elevados podem aumentar as receitas de exportação e a arrecadação, mas não eliminam o risco sobre os derivados importados.

    Agora, governos e mercados acompanham o tráfego em Bab el-Mandeb e Ormuz. Essas duas passagens definirão o tamanho do impacto econômico provocado pela nova escalada e pela permanência do petróleo acima de US$ 100.

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