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    Venezuela retoma diálogo sem María Corina Machado

    Conversas com apoio dos Estados Unidos devem tratar de garantias eleitorais, sanções e participação política.

    O governo interino da Venezuela e uma ala da oposição retomarão as negociações políticas nos próximos dias.

    Inicialmente, as partes previam iniciar o diálogo neste sábado (1º). Entretanto, fontes da Reuters apontam o começo provável no domingo ou na segunda-feira.

    O processo possui apoio dos Estados Unidos e pretende preparar futuras eleições. Contudo, María Corina Machado, principal líder opositora venezuelana, não participará.

    Delegações definidas

    Jorge Rodríguez representará o governo interino. Ele preside a Assembleia Nacional e é irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez.

    Por outro lado, Dinorah Figuera comandará a delegação opositora. Ela presidiu o grupo parlamentar eleito em 2015, reconhecido por Washington.

    Os Estados Unidos solicitaram que Figuera liderasse as conversas, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

    Além disso, Figuera participou em junho do primeiro encontro público entre integrantes governistas e opositores em quase três anos.

    Na ocasião, as partes anunciaram uma plataforma para fortalecer a democracia e consolidar a paz. Entretanto, não apresentaram um calendário eleitoral.

    Machado fica fora

    María Corina Machado não integra a Assembleia eleita em 2015. Por isso, os organizadores não a incluíram formalmente na delegação.

    Contudo, sua ausência amplia as dúvidas sobre a representatividade do diálogo. A líder opositora mantém forte apoio dentro do movimento opositor.

    Ela também questionou o resultado da eleição presidencial de 2024. Observadores internacionais e governos estrangeiros contestaram a transparência daquela votação.

    Na semana passada, María Corina Machado afirmou que não impedirá avanços reais. Entretanto, avaliará as negociações por seus resultados concretos.

    Entre os critérios citados estão a reconstrução das instituições democráticas, a libertação de presos políticos e a definição de novas eleições.

    O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reconheceu a importância política da líder opositora. Além disso, defendeu a representação dos diferentes setores venezuelanos.

    Reformas em debate

    A agenda deverá incluir mudanças no Conselho Nacional Eleitoral e garantias para a participação política.

    Além disso, os negociadores discutirão liberdades civis, funcionamento das instituições e condições para futuras eleições.

    O governo interino também buscará a retirada das sanções norte-americanas ainda vigentes.

    Washington já flexibilizou restrições sobre petróleo, gás e ouro. Contudo, condicionou medidas anteriores ao cumprimento de compromissos democráticos.

    Portanto, sanções e garantias eleitorais poderão funcionar como instrumentos de negociação entre as partes.

    Ainda não existe uma data oficial para a eleição presidencial. Os Estados Unidos defendem primeiro uma estabilização econômica e institucional.

    Influência norte-americana

    A participação de Washington cresceu após a operação que retirou Nicolás Maduro do poder, em janeiro.

    Depois disso, Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência. O governo de Donald Trump também ampliou os contatos políticos e econômicos com Caracas.

    Os Estados Unidos afirmam que pretendem facilitar o diálogo. Entretanto, críticos apontam uma influência estrangeira excessiva sobre a transição venezuelana.

    A oposição considera o apoio norte-americano importante para garantir segurança aos seus representantes.

    Por outro lado, setores governistas criticam a pressão externa e defendem maior autonomia venezuelana na definição do processo.

    Posição do Brasil

    O Brasil acompanha a transição porque compartilha uma fronteira extensa com a Venezuela.

    Além disso, mudanças políticas e econômicas no país vizinho afetam migração, segurança, comércio e abastecimento em Roraima.

    O governo brasileiro defende uma transição pacífica, negociada e conduzida pelos próprios venezuelanos.

    Em janeiro, o Itamaraty também criticou interferências externas e pediu respeito à soberania e ao direito internacional.

    Posteriormente, Lula afirmou esperar que Delcy Rodríguez cumpra seu mandato e organize o país.

    Contudo, Brasília ainda não anunciou uma participação direta nas novas negociações.

    Histórico de impasses

    Governo e oposição realizaram diferentes diálogos durante os últimos anos. Entretanto, vários acordos enfrentaram atrasos ou aplicação incompleta.

    As negociações anteriores também envolveram sanções, condições eleitorais e participação de candidatos opositores.

    Por isso, os representantes precisarão apresentar resultados rápidos para conquistar confiança.

    A exclusão de María Corina Machado representa outro desafio. Afinal, um acordo sem apoio dos principais grupos poderá enfrentar dificuldades para obter legitimidade.

    Próximos passos

    Figuera e os demais opositores deverão chegar a Caracas antes do início das reuniões.

    Depois, as delegações precisarão definir prazos, prioridades e mecanismos para verificar o cumprimento dos compromissos.

    María Corina Machado acompanhará o processo sem integrar diretamente a mesa. Enquanto isso, os Estados Unidos continuarão como principal apoiador externo.

    Portanto, a retomada abre uma oportunidade política. Contudo, eleições livres e reformas institucionais ainda dependem de acordos concretos.

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