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    Netanyahu rejeita plano de Trump para retirada de Gaza

    Primeiro-ministro exige o desarmamento completo do Hamas antes de qualquer recuo militar; divergência ameaça nova etapa do acordo apoiado pelos Estados Unidos.

    O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou neste domingo (9) que Israel rejeitou a proposta de 15 pontos apresentada pelo Conselho de Paz para Gaza.

    O órgão atua sob a liderança do presidente norte-americano Donald Trump e acompanha a implementação do acordo iniciado em 2025.

    Segundo Netanyahu, Israel não retirará suas forças do território enquanto o Hamas não concluir seu desarmamento.

    Assim, a declaração expõe uma divergência sobre a ordem das medidas previstas para avançar na transição política e na reconstrução de Gaza.

    Plano tem 15 pontos

    O novo documento apresenta orientações para aplicar a segunda fase do plano de paz defendido pelos Estados Unidos.

    Essa etapa prevê o desarmamento das organizações palestinas e uma retirada gradual das forças israelenses.

    Além disso, o texto propõe transferir a administração civil para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza.

    O grupo reúne técnicos palestinos e pretende substituir a estrutura governamental anteriormente controlada pelo Hamas.

    O Conselho de Paz também deverá coordenar financiamento, reconstrução, segurança e relações diplomáticas durante a transição.

    Entretanto, Israel discorda dos procedimentos e das garantias incluídas no documento de implementação.

    Ordem divide as partes

    A principal divergência envolve qual lado precisa cumprir primeiro seus compromissos.

    Israel exige que o Hamas entregue suas armas antes de qualquer nova retirada militar.

    Por outro lado, o Hamas condiciona o armazenamento de armamentos ao cumprimento prévio das obrigações israelenses.

    Entre elas aparecem o fim das operações militares, o recuo das tropas e o aumento da entrada de ajuda humanitária.

    Portanto, cada parte cobra uma ação inicial do adversário antes de avançar.

    Essa falta de confiança já impediu o cumprimento de outras etapas do cessar-fogo.

    Hamas impõe condições

    O dirigente do Hamas Ghazi Hamad informou que o grupo aceitaria entregar armas para armazenamento sob condições específicas.

    Segundo ele, Israel precisaria cumprir primeiro o entendimento firmado em Sharm el-Sheikh, no Egito.

    Além disso, o processo dependeria da presença de uma força internacional e da transferência do governo para uma administração palestina técnica.

    O roteiro não prevê a entrega das armas diretamente a Israel. Em vez disso, o novo comitê palestino ficaria responsável pelo armazenamento.

    Contudo, autoridades israelenses questionam se esse mecanismo impediria o Hamas de recuperar sua capacidade militar no futuro.

    Por isso, Netanyahu exige um processo de desarmamento completo, verificável e anterior à retirada.

    Divergência com Trump

    Trump apresentou o avanço do acordo, em 30 de julho, como um passo importante para encerrar definitivamente o conflito.

    Na ocasião, o presidente afirmou que Israel apoiava o entendimento e que o Hamas concordara com o desarmamento.

    Entretanto, representantes dos dois lados apresentaram condições diferentes nos dias seguintes.

    Netanyahu ainda não havia endossado publicamente o roteiro de 15 pontos quando Trump anunciou o suposto avanço.

    Agora, a rejeição israelense confirma que o acordo permanecia sem aprovação final de todas as partes.

    A Casa Branca não havia divulgado uma resposta pública à manifestação de Netanyahu até o fechamento desta matéria.

    Plano mais amplo continua

    A disputa atual envolve o roteiro de 15 pontos, criado para orientar a implementação do acordo.

    Contudo, ele faz parte de uma estrutura mais ampla com 20 pontos apresentada por Trump em 2025.

    O plano original recebeu apoio israelense e prevê cessar-fogo, desmilitarização, governo técnico, força internacional e reconstrução.

    Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas respaldou essa estrutura por meio de uma resolução aprovada no ano passado.

    Em janeiro, a Casa Branca anunciou a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza e da Força Internacional de Estabilização.

    Portanto, a rejeição anunciada por Netanyahu não encerra toda a iniciativa. Porém, ela bloqueia uma etapa essencial para sua execução.

    Pressão diplomática

    A decisão israelense deverá ampliar a pressão sobre os mediadores internacionais.

    Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia participam dos esforços para aproximar as posições.

    Além disso, países árabes defendem a suspensão das operações militares e o início da reconstrução.

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, também pediu que as partes implementem o roteiro sem criar novos obstáculos.

    Entretanto, qualquer avanço exigirá garantias sobre segurança, governo civil, retirada militar e controle dos armamentos.

    Por isso, os mediadores poderão propor uma sequência simultânea de medidas para reduzir a desconfiança.

    Impacto político

    A divergência também produz efeitos políticos para Netanyahu e Trump.

    O primeiro-ministro israelense enfrenta resistência de aliados que rejeitam concessões ao Hamas.

    Trump, por sua vez, apresenta o acordo como uma das principais iniciativas diplomáticas de seu governo.

    Consequentemente, uma ruptura entre Washington e Israel poderá dificultar a coordenação regional dos Estados Unidos.

    Além disso, o impasse atrasará projetos de reconstrução e a consolidação de uma administração civil palestina.

    Próximos passos

    O Conselho de Paz poderá reformular os 15 pontos ou negociar garantias adicionais com Israel.

    Enquanto isso, o Hamas deverá esclarecer como ocorreriam o armazenamento e a fiscalização das armas.

    Os mediadores também precisarão definir a relação entre desarmamento, retirada militar e atuação da força internacional.

    Portanto, o plano permanece aberto à negociação, mas perdeu força após a rejeição pública de Netanyahu.

    Sem um acordo sobre a sequência das medidas, a segunda fase continuará paralisada.

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