Trump reduz vacinas recomendadas para crianças nos EUA
Mudança altera o calendário federal de imunização, propõe separar a tríplice viral e incentiva revisão das exigências escolares nos estados.
A ordem de Trump sobre vacinas infantis mudou a orientação federal dos Estados Unidos nesta segunda-feira (10).
O presidente Donald Trump passou a recomendar imunização universal contra 11 doenças. Anteriormente, o calendário de 2024 abrangia 18 doenças ou formas de prevenção.
Além disso, a medida propõe aplicar separadamente as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola.
Entretanto, organizações médicas contestaram a mudança. Especialistas afirmam que o espaçamento pode atrasar a proteção das crianças contra doenças evitáveis.
Calendário reduzido
A ordem mantém a recomendação universal contra sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, varicela e outras três doenças.
Por outro lado, o governo transferiu diferentes imunizantes para recomendações destinadas a grupos de risco ou decisões compartilhadas entre médicos e famílias.
Esse grupo inclui vacinas contra hepatites A e B, gripe, Covid-19, rotavírus, dengue e doenças meningocócicas.
Contudo, algumas vacinas aparecem em mais de uma categoria, conforme a condição clínica ou o grupo populacional.
A Casa Branca afirma que a mudança amplia a autonomia dos pais.
Além disso, sustenta que o novo modelo se aproxima de calendários adotados por países desenvolvidos.
Tríplice viral
A ordem de Trump sobre vacinas infantis também recomenda dividir a vacina tríplice viral em três aplicações.
Assim, as crianças receberiam doses separadas contra sarampo, caxumba e rubéola, em consultas diferentes.
Entretanto, as versões individuais desses imunizantes não estão atualmente disponíveis no mercado norte-americano.
Por isso, a determinação somente poderá avançar depois que fabricantes oferecerem os produtos separados.
O texto preserva a disponibilidade da vacina combinada.
Porém, orienta o governo a trabalhar com empresas para criar alternativas individuais.
Além disso, a ordem recomenda consultas separadas para os demais imunizantes sempre que isso for possível.
Governo defende escolha
Trump afirma que as famílias precisam de maior liberdade para decidir quando e como vacinar seus filhos.
O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., também defende uma revisão ampla da política norte-americana de imunização.
Segundo a Casa Branca, o novo calendário considera evidências científicas, práticas internacionais e avaliações individuais de risco.
Além disso, o governo argumenta que diferentes países alcançam coberturas elevadas por meio da confiança pública, sem exigências nacionais uniformes.
Contudo, os Estados norte-americanos controlam as regras de vacinação para matrícula e frequência escolar.
Portanto, a ordem não altera automaticamente essas normas. Em vez disso, recomenda que governadores e legisladores estaduais revisem suas políticas.
Médicos contestam
A Academia Americana de Pediatria criticou a redução das recomendações, segundo a Reuters e a Associated Press.
Especialistas defendem que o calendário vigente resulta de décadas de estudos sobre segurança, eficácia e riscos epidemiológicos.
Além disso, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças afirma que não existem dados favoráveis ao espaçamento como forma de proteção mais segura.
Segundo o CDC, atrasar as doses pode ampliar o período em que as crianças permanecem vulneráveis.
A Organização Mundial da Saúde também analisou a relação entre vacinas e autismo em 2025.
Após revisar 31 estudos, o comitê da OMS reafirmou que as evidências não demonstram relação causal.
Além disso, a organização não encontrou benefício na substituição rotineira da vacina tríplice viral por três imunizantes separados.
Disputa judicial
A política também enfrenta questionamentos nos tribunais.
Em janeiro, o Departamento de Saúde reduziu o calendário federal e retirou recomendações universais contra seis doenças.
Entretanto, uma decisão judicial suspendeu parte da reformulação após entidades médicas contestarem o processo adotado pelo governo.
Agora, a nova ordem reafirma a política presidencial durante a tramitação dessas ações.
Além disso, Trump orientou o Departamento de Justiça a apoiar processos contra determinadas exigências estaduais.
Os questionamentos poderão envolver liberdade religiosa, autoridade familiar, adaptações para pessoas com deficiência e igualdade perante a lei.
Portanto, os tribunais deverão definir até onde o governo federal pode interferir nas regras estaduais.
Impacto no Brasil
A decisão norte-americana não altera o Calendário Nacional de Vacinação brasileiro.
No Brasil, o Ministério da Saúde mantém a vacina tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola.
O calendário de 2026 recomenda duas doses para crianças, normalmente aos 12 e aos 15 meses.
Além disso, o governo federal intensificou a vacinação contra o sarampo após registrar casos relacionados à entrada do vírus no país.
Em 7 de agosto, o Ministério da Saúde informou que distribuiu mais de 177 milhões de doses aos estados durante 2026.
Consequentemente, qualquer mudança nas orientações brasileiras dependeria de decisão própria das autoridades sanitárias nacionais.
Próximos passos
A ordem de Trump sobre vacinas infantis concede 90 dias para o Departamento de Saúde apresentar novos planos de pesquisa e monitoramento.
Além disso, o órgão deverá avaliar horários, intervalos e alternativas para aplicar imunizantes de forma separada.
Fabricantes também precisarão decidir se produzirão vacinas individuais contra sarampo, caxumba e rubéola.
Enquanto isso, estados, entidades médicas e grupos de famílias poderão apresentar novas ações judiciais.
Portanto, a medida produz uma mudança política imediata, mas sua aplicação prática ainda depende de regulamentação, oferta de produtos e decisões dos tribunais.