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    Impasse entre EUA e Irã mantém petróleo sob pressão

    Teerã nega avanço para renovar trégua e condiciona reabertura de Hormuz; barril sobe enquanto aumentam os riscos para combustíveis e inflação

    O impasse entre EUA e Irã ganhou novo peso nesta quarta-feira (12), após Teerã negar avanços para retomar o acordo firmado em junho.

    Uma fonte sênior iraniana afirmou à Reuters que os dois países não discutem a extensão do entendimento.

    Além disso, o governo iraniano condiciona novas negociações ao retorno dos Estados Unidos ao acordo e à definição de um calendário.

    Washington não havia respondido publicamente às novas declarações até a atualização da reportagem.

    Trégua perdeu força

    Estados Unidos e Irã firmaram em junho um acordo provisório destinado a interromper as hostilidades e abrir negociações mais amplas.

    O documento estabelecia um período de 60 dias para discutir o programa nuclear iraniano, sanções econômicas e a segurança das rotas marítimas.

    Entretanto, o presidente Donald Trump declarou o acordo encerrado em 7 de julho.

    Uma semana depois, o governo iraniano suspendeu formalmente sua participação.

    Agora, os dois lados apresentam versões diferentes sobre o fracasso do entendimento.

    Washington acusa Teerã de não cumprir o compromisso de liberar a navegação pelo Estreito de Hormuz.

    Por outro lado, o Irã afirma que os Estados Unidos mantiveram restrições portuárias e não liberaram recursos iranianos congelados no exterior.

    Versões divergentes

    A agência turca Anadolu informou nesta quarta-feira que os governos teriam concordado em ampliar o prazo da trégua.

    A publicação citou fontes do governo paquistanês.

    Contudo, a fonte iraniana consultada pela Reuters negou qualquer decisão nesse sentido.

    Segundo o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, ainda não existem conversas diretas entre Teerã e Washington.

    Apesar disso, os países trocam mensagens por meio do Paquistão e do Catar.

    Portanto, os canais diplomáticos permanecem abertos, embora ainda não tenham produzido um novo calendário de negociações.

    Hormuz no centro

    O Estreito de Hormuz concentra a principal divergência econômica e estratégica do impasse entre EUA e Irã.

    Antes do conflito, aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito negociados mundialmente passavam pela região.

    Entretanto, o tráfego caiu para seis embarcações na segunda-feira (10), segundo dados publicados pela Reuters.

    Antes da crise, o movimento diário variava entre 125 e 140 embarcações.

    O Irã afirma que manterá a rota fechada enquanto Washington não aceitar suas condições.

    Já os Estados Unidos defendem a navegação sem restrições.

    Oferta menor

    A Agência Internacional de Energia reduziu novamente sua projeção para a oferta mundial de petróleo nesta quarta-feira.

    Segundo a entidade, a produção global deverá cair 4,3 milhões de barris diários, em média, durante 2026.

    Além disso, 8,3 milhões de barris diários da produção do Golfo continuavam indisponíveis em julho.

    A agência também prevê queda de 1,6 milhão de barris diários na demanda mundial neste ano.

    Esse recuo resulta, sobretudo, dos preços elevados, da menor disponibilidade de derivados e das dificuldades nas cadeias internacionais.

    Mercado reage

    O petróleo Brent alcançou US$ 89,26 por barril nesta quarta-feira, com alta de 0,4%.

    Assim, a cotação caminhava para a sexta sessão consecutiva de valorização.

    Na terça-feira (11), o contrato havia fechado em US$ 88,91, maior nível desde o fim de julho.

    Consequentemente, cada sinal de afastamento diplomático aumenta a preocupação com a oferta mundial.

    Por outro lado, uma retomada das negociações poderia reduzir o prêmio de risco incorporado às cotações.

    Efeito no Brasil

    A alta internacional pode pressionar os custos brasileiros de gasolina, diesel, querosene de aviação e gás de cozinha.

    Entretanto, o impacto nas bombas não ocorre automaticamente.

    Câmbio, impostos, biocombustíveis, custos logísticos e decisões comerciais das refinarias também influenciam os preços finais.

    A Agência Nacional do Petróleo acompanha semanalmente a paridade de importação dos principais combustíveis.

    Esse cálculo considera o preço externo, além de frete, armazenamento, movimentação e outros serviços.

    Portanto, uma crise prolongada poderá elevar custos de transporte e pressionar a inflação brasileira.

    Ao mesmo tempo, preços maiores podem favorecer receitas de exportadores brasileiros de petróleo.

    Próximos passos

    O avanço diplomático dependerá da construção de um novo calendário e da definição dos compromissos de cada governo.

    Além disso, os mediadores precisarão aproximar as posições sobre sanções, recursos congelados e liberdade de navegação.

    Enquanto isso, o Estreito de Hormuz continuará orientando as expectativas do mercado energético.

    Assim, o impasse entre EUA e Irã deverá permanecer como um dos principais riscos econômicos e diplomáticos internacionais.

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