Caso Márcio expõe insatisfação de prefeitos e antiga divisão dentro do PL de Goiás
Saída de gestores, aproximação com Daniel Vilela e divergências entre Wilder Morais e Gustavo Gayer antecedem crise envolvendo prefeito de Anápolis.
O processo contra Márcio Corrêa abriu uma nova frente de tensão no PL de Goiás, mas a divergência entre lideranças e prefeitos da legenda não começou agora.
Desde 2025, gestores eleitos pelo partido têm deixado a sigla ou se aproximado do grupo político que hoje sustenta o governador Daniel Vilela (MDB).
Parte desse movimento foi atribuída, nos bastidores, à insatisfação de prefeitos com a condução estadual do PL sob o comando do senador Wilder Morais.
Reportagem publicada em março de 2025 já apontava que pelo menos seis prefeitos haviam aderido a partidos ligados à base estadual.
Prefeitos mudaram de lado
Entre as baixas registradas estão gestores de municípios como Formosa, Cabeceiras, São Miguel do Araguaia, Ouro Verde de Goiás e Pilar de Goiás.
Em março deste ano, Tiago Japiassú, de Pilar de Goiás, e Rodrigo Fonseca, de Ouro Verde, deixaram o PL e ingressaram no MDB.
Além disso, Jerônymo Siqueira, de São Miguel do Araguaia, também deixou a legenda para se aproximar da base de Daniel.
Outros prefeitos permaneceram formalmente no PL, mas passaram a manter diálogo político com o grupo governista.
O próprio Márcio Corrêa se tornou o caso mais emblemático. Prefeito da terceira maior cidade de Goiás, ele declarou apoio direto à reeleição de Daniel.
A adesão ganhou ainda mais peso político nesta semana. Pesquisa do Goiás Pesquisas apontou aprovação de 87,45% da administração de Márcio em Anápolis.
Jataí entra no radar
Outro município acompanhado nos bastidores é Jataí, administrado pelo prefeito Geneilton Assis, do PL.
Fontes com conhecimento das articulações relatam que Geneilton passou a buscar canais de aproximação com o Palácio das Esmeraldas.
Até o momento, entretanto, não houve anúncio público de rompimento com Wilder ou de apoio a Daniel Vilela.
A movimentação chama atenção também pelo peso histórico de Jataí para a família Vilela. Daniel nasceu no município e é filho do ex-governador Maguito Vilela.
No início do ano, Geneilton aparecia justamente entre os prefeitos do PL que ainda mantinham distância da base governista.
Já em março, havia registros de que prefeitos do partido procuravam o governo estadual e avaliavam deixar a legenda ou apoiar Daniel sem trocar de partido.
Divisão vem de antes
A tensão dentro do PL também alcançou a própria direção estadual.
No início de 2026, o deputado federal Gustavo Gayer defendia uma composição com o grupo governista. A proposta incluía apoio a Daniel Vilela para governador.
Gayer buscava, naquele momento, construir uma composição para o Senado ao lado de Gracinha Caiado. A estratégia contrariava o projeto de Wilder de disputar o Governo de Goiás.
Em fevereiro, uma ala ligada a Gayer continuava resistindo à candidatura própria de Wilder e defendia uma composição com o grupo governista.
A divergência ficou exposta novamente em abril, quando a ausência de Wilder em um evento organizado por Gayer gerou comentários sobre a relação entre os dois.
Posteriormente, o PL decidiu seguir com candidatura própria. A convenção estadual homologou Wilder para governador, Gayer e Oséias Varão para o Senado.
Agora, a direção estadual enfrenta o processo contra Márcio Corrêa enquanto tenta manter alinhados prefeitos e lideranças municipais durante a campanha.