• Nacional

    Quem são os empresários por trás da Betnacional e Betfair citados em operação da Receita

    João Studart e Eduardo “Duda” Monte ocupam posições de comando na Flutter Brazil, que reúne Betnacional e Betfair no país. Operação apura suspeitas de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

    Os empresários pernambucanos João Guilherme Monte Studart e Eduardo Lima Monte, conhecido como Duda Monte, estão entre os principais nomes da operação brasileira que reúne Betnacional e Betfair.

    Nesta sexta-feira (28), a Receita Federal e o Ministério Público Federal colocaram o grupo no foco da Operação Jogo de Sombras.

    A investigação apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas ao mercado de apostas esportivas.

    Segundo a Receita, o grupo empresarial investigado teria movimentado mais de R$ 5 bilhões somente em 2025.

    Além disso, as equipes cumpriram seis mandados de busca e apreensão em Recife, João Pessoa e São Paulo. A operação não teve mandados de prisão.

    Ao mesmo tempo, a Receita abriu 11 procedimentos fiscais relacionados ao caso.

    Quem é João Studart

    João Studart está ligado à criação da NSX e da Betnacional.

    Em depoimento no Senado, o empresário afirmou que criou a NSX em 2021, inicialmente em Curaçao.

    A Betnacional também surgiu em 2021 e, desde então, ampliou rapidamente sua presença no mercado brasileiro de apostas.

    Posteriormente, Studart assumiu o comando da operação brasileira como CEO.

    Depois, com mudanças na estrutura da empresa, ele passou a ocupar o cargo de Executive Chairman da Flutter Brazil.

    Atualmente, Studart concentra sua atuação em áreas como estratégia, governança e relacionamento institucional.

    Quem é Duda Monte

    Eduardo Lima Monte, conhecido como Duda Monte, também é pernambucano e primo de João Studart.

    Antes de assumir posições de comando na NSX, ele acumulou passagens por empresas como Deloitte, Rio Bravo Investimentos e Hapvida.

    Duda entrou na companhia em 2023. Inicialmente, assumiu funções ligadas à operação e, depois, tornou-se COO.

    Em dezembro de 2025, ele chegou ao cargo de CEO da Flutter Brazil.

    Enquanto isso, João Studart deixou a gestão executiva diária e passou para a presidência executiva do conselho.

    Atualmente, registros empresariais apontam Eduardo Lima Monte como presidente da NSX Brasil e João Studart como diretor.

    Além disso, ambos aparecem na administração da NSX Betfair Brasil.

    Betnacional e Betfair

    A ligação entre Betnacional e Betfair ganhou uma nova dimensão depois da entrada da Flutter Entertainment no negócio.

    Em setembro de 2024, a multinacional anunciou a compra de uma participação inicial de 56% da NSX Group, responsável pela Betnacional.

    O acordo previa pagamento de aproximadamente US$ 350 milhões.

    Posteriormente, em maio de 2025, a Flutter concluiu a aquisição.

    Além da participação na NSX, a companhia colocou sua operação brasileira da Betfair dentro da nova estrutura da Flutter Brazil.

    Com isso, Betnacional e Betfair passaram a integrar a mesma estrutura empresarial no país.

    Atualmente, a Flutter controla a operação brasileira.

    O que a Receita investiga

    Segundo a Receita Federal, a investigação encontrou indícios de que o grupo teria utilizado uma empresa em Curaçao antes da regulamentação brasileira.

    De acordo com os investigadores, essa estrutura apresentava parte da operação de apostas como atividade realizada fora do Brasil.

    No entanto, a Receita suspeita que empresas brasileiras ligadas ao grupo operavam efetivamente as atividades no país.

    Além disso, o órgão identificou indícios de movimentações financeiras estruturadas entre Brasil e exterior.

    Parte dos valores, segundo a investigação, teria retornado ao país posteriormente como pagamento por prestação de serviços.

    A Receita também apura o possível uso de contas mantidas em fintechs para dificultar o rastreamento dos recursos e a identificação dos beneficiários finais.

    Além disso, a investigação alcança o período posterior à regulamentação do setor.

    Segundo a Receita, o grupo pode ter adaptado estruturas anteriores depois da entrada em vigor do novo marco regulatório.

    Entre os pontos sob análise estão despesas declaradas ao Fisco que, segundo os investigadores, podem não ter correspondência real.

    Caso a Receita confirme a irregularidade, essas despesas podem ter reduzido indevidamente os tributos pagos pelo grupo a partir de 2025.

    R$ 300 milhões

    Paralelamente à investigação criminal, a Receita Federal abriu 11 procedimentos fiscais para analisar possíveis irregularidades tributárias.

    Segundo o órgão, esses procedimentos têm potencial para recuperar aproximadamente R$ 300 milhões aos cofres públicos.

    Além disso, os investigadores devem aprofundar a análise das transferências financeiras entre Brasil e exterior.

    A apuração também busca identificar a origem dos recursos, eventuais receitas omitidas e os beneficiários das operações financeiras.

    O que diz a NSX

    Em nota divulgada nesta sexta-feira, a NSX Brasil confirmou que recebeu uma diligência da Receita Federal em seu escritório no Recife.

    A empresa afirmou que seus advogados ainda não tiveram acesso aos autos.

    Por isso, segundo a NSX, a companhia ainda não pode comentar o conteúdo específico da investigação.

    Além disso, a empresa afirmou que colabora com as autoridades e entrega a documentação solicitada.

    A Receita Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Jogo de Sombras nesta sexta-feira (28). As equipes cumpriram seis mandados em Pernambuco, Paraíba e São Paulo, sem mandados de prisão.

    Noticias relacionadas