STF divulga contrato de R$ 131 milhões entre Master e escritório da mulher de Moraes
Documento previa consultoria jurídica em inquéritos e órgãos públicos; banca afirma que serviços foram prestados regularmente
O STF tornou público o contrato entre Master e Barci de Moraes, escritório que tem Viviane Barci de Moraes como sócia-diretora. Ela é mulher do ministro Alexandre de Moraes.
O ministro André Mendonça retirou o sigilo do documento após pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Até então, o contrato integrava os procedimentos relacionados ao caso Master que permaneciam sob sigilo.
Contrato entre Master e Barci de Moraes
O Banco Master e o escritório assinaram o acordo em janeiro de 2024.
O documento previa pagamento bruto de aproximadamente R$ 131 milhões ao longo de três anos.
O valor seria dividido em 36 parcelas mensais de cerca de R$ 3,64 milhões.
Após os impostos, porém, cada parcela ficaria em R$ 3 milhões. Assim, o valor líquido previsto alcançaria R$ 108 milhões.
Os pagamentos começaram em fevereiro de 2024.
Entretanto, o Banco Master interrompeu os repasses depois que o Banco Central decretou a liquidação da instituição, em novembro de 2025.
Serviços previstos no acordo
O contrato previa a criação e o acompanhamento de um programa de integridade.
Além disso, incluía consultoria jurídica e estratégica em inquéritos conduzidos pelas polícias Federal e Civil.
A banca também poderia atuar em procedimentos administrativos no Banco Central, na Receita Federal e no Cade.
Ao mesmo tempo, o documento mencionava processos judiciais em todas as instâncias.
Arquivo teve edição atribuída a Moraes
Segundo relatório da Polícia Federal, os metadados do arquivo registraram alterações feitas por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
As modificações ocorreram na noite anterior à assinatura do acordo.
O escritório confirmou que Moraes acessou e editou a versão final.
Entretanto, a banca afirmou que o setor de compliance pediu a análise para verificar possíveis impedimentos legais.
Além disso, declarou que o contrato não previa atuação perante o STF.
O escritório também afirmou que Alexandre de Moraes nunca julgou processos envolvendo o Banco Master e que os serviços foram prestados regularmente.
Outro documento previa R$ 50 milhões
A retirada do sigilo também revelou uma proposta de outro contrato.
Nesse caso, o documento previa R$ 50 milhões líquidos entre o escritório e a Viking Participações, empresa ligada a Daniel Vorcaro.
Contudo, a banca afirmou que não aceitou nem assinou esse segundo acordo.
Mendonça retira sigilo de procedimentos
Além do contrato entre Master e Barci de Moraes, Mendonça retirou o sigilo da petição principal e de outros 14 procedimentos relacionados ao caso.
Agora, cópias integrais devem seguir para Fachin e para os demais ministros do Supremo.
O plenário do STF tem sessão extraordinária prevista para terça-feira (15).
Na ocasião, os ministros devem analisar o relatório da Polícia Federal e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o documento.
Por fim, a divulgação do contrato não representa, por si só, conclusão judicial sobre eventual irregularidade.