• Internacional

    Trump culpa Ucrânia pela alta do diesel, mas dados mostram peso da guerra contra o Irã

    Brent subiu 56% em três semanas após ataques dos EUA e de Israel; ofensiva ucraniana também reduziu a oferta russa de combustíveis

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou a Ucrânia pela escassez global de diesel no domingo (13). Durante uma visita à Irlanda, ele pediu que o presidente Volodymyr Zelensky interrompesse os ataques contra refinarias russas. Trump também afirmou que o problema seria provocado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, e não pelos conflitos no Oriente Médio.

    Os dados, porém, contradizem a tentativa de retirar a guerra contra o Irã dessa conta. Na semana encerrada em 27 de fevereiro, o petróleo Brent custava US$ 71,36 por barril. No dia seguinte, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã.

    Três semanas depois, o Brent alcançou US$ 111,40, uma alta de 56,1%. Posteriormente, a cotação semanal chegou a US$ 124,61 em 10 de abril. O aumento acumulado desde a véspera dos ataques atingiu 74,6%, segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, a EIA.

    O que aconteceu antes

    A Ucrânia ampliou os ataques contra refinarias russas durante 2025. Em novembro, foram registrados pelo menos 14 ataques, o maior número mensal até então. Apesar disso, o Brent caiu de US$ 64,30, em 7 de novembro, para US$ 60,83, em 19 de dezembro.

    O diesel vendido nos Estados Unidos seguiu uma trajetória semelhante, embora com algum atraso. O preço médio passou de US$ 3,809 por galão, em 23 de fevereiro, para US$ 4,859 em 9 de março. Em 7 de setembro, atingiu US$ 5,967, conforme o levantamento oficial da EIA.

    Ucrânia também pressiona a oferta

    Os números não significam que os ataques ucranianos sejam irrelevantes. As ofensivas reduziram a capacidade de refino da Rússia, provocaram racionamentos internos e contribuíram para a suspensão das exportações russas de diesel.

    Além disso, a Agência Internacional de Energia informou que as exportações de diesel e gasóleo dos países do Golfo caíram para pouco mais de um quarto do volume anterior à guerra contra o Irã. Os problemas nas refinarias russas agravaram essa redução. Em fevereiro, Rússia e Golfo respondiam juntos por quase 45% do comércio marítimo mundial desses combustíveis.

    Portanto, a afirmação de Trump de que a escassez não foi provocada pelo Oriente Médio é falsa. Os ataques ucranianos pressionaram a oferta, mas a disparada mais forte do petróleo começou após a ofensiva contra o Irã. A própria EIA atribui o encarecimento dos combustíveis a problemas simultâneos na Rússia, na China e no Oriente Médio.

    Gráfico

    Ataques a refinarias russas atingiram recorde em novembro de 2025; EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro de 2026. Fonte: EIA.

    Noticias relacionadas