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    Como rastros do iPhone levaram a PF às mensagens de Vorcaro

    Arquivos temporários e registros de uso ajudaram a reconstruir a sequência dos envios; Moraes contesta parte das conclusões da perícia

    A Polícia Federal afirma ter reconstruído mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro a partir de rastros do iPhone de Vorcaro. A perícia não precisou acessar diretamente o conteúdo protegido pela criptografia do WhatsApp.

    O aparelho, um iPhone 17 Pro, foi apreendido durante a Operação Compliance Zero. Vorcaro se recusou a informar a senha, mas a PF conseguiu extrair os dados com ferramentas de perícia digital.

    Além disso, o material passou por análise com o Indexador e Processador de Evidências Digitais (IPED) e o Cellebrite Reader. O relatório da PF tem 218 páginas e foi concluído em 27 de agosto de 2026.

    Mensagens começavam no aplicativo Notas

    Segundo a PF, Vorcaro seguia um padrão para enviar determinadas informações.

    Primeiro, abria o aplicativo Notas e escrevia o texto. Depois, fazia uma captura da tela.

    Em seguida, encaminhava a imagem pelo WhatsApp no modo de visualização única.

    Esse recurso faz a imagem desaparecer da conversa após a abertura. No entanto, a captura deixava outros registros dentro do aparelho.

    iPhone criava arquivos temporários

    Em determinadas operações, o sistema do iPhone criava automaticamente arquivos temporários em PDF com o mesmo conteúdo exibido na tela.

    Esses documentos ficavam armazenados em uma área interna do sistema, normalmente inacessível ao usuário.

    Assim, mesmo quando a imagem já não aparecia na galeria ou no WhatsApp, o texto permanecia registrado temporariamente no aparelho.

    Dessa forma, os rastros do iPhone de Vorcaro ajudaram os investigadores a reconstruir a sequência dos envios.

    PF cruzou horários dos aplicativos

    Além dos PDFs, os investigadores analisaram registros de abertura e fechamento dos aplicativos.

    Também verificaram horários das capturas de tela e logs de envio do WhatsApp.

    Em um dos episódios, o iPhone registrou a abertura do aplicativo Notas às 16h28, no horário universal.

    Depois, às 16h32min31s, houve uma captura da tela e a criação simultânea de um PDF.

    Cinco segundos depois, o WhatsApp foi aberto.

    Já às 16h33min03s, o sistema registrou o envio de uma mensagem para um número salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”.

    Portanto, o envio ocorreu 32 segundos depois da captura.

    Cinco mensagens tinham associação direta

    A PF encontrou cinco mensagens de visualização única ainda associadas à conversa.

    Segundo o relatório, cada uma delas correspondia a um registro de envio localizado nos logs do sistema.

    Depois, os investigadores aplicaram o mesmo método a outros 47 arquivos.

    Ao todo, o relatório relacionou o padrão a 52 notas.

    Além disso, a análise envolveu 31.975 registros do sistema e 43.298 registros de uso de aplicativos.

    Criptografia do WhatsApp não foi o caminho

    A recuperação não significa que a PF tenha rompido a criptografia de ponta a ponta do WhatsApp.

    Nesse caso, o trabalho ocorreu no próprio aparelho usado para produzir e enviar as imagens.

    A visualização única controla o acesso ao arquivo dentro do aplicativo. Porém, ela não impede que o sistema operacional deixe registros temporários, horários de uso e outros vestígios digitais.

    Além disso, isso não significa que qualquer mensagem temporária possa ser recuperada.

    No caso analisado, a reconstrução foi possível porque os textos foram produzidos no aplicativo Notas e transformados em imagens antes do envio.

    Moraes contesta 47 registros

    Alexandre de Moraes contestou a metodologia usada pela PF.

    Segundo o ministro, apenas cinco das 52 imagens estavam vinculadas diretamente ao histórico do WhatsApp.

    Nos outros 47 casos, Moraes afirma que a PF teria relacionado as notas aos envios com base na proximidade dos horários.

    Por isso, segundo ele, apenas esses dados não permitiriam comprovar quem recebeu cada conteúdo.

    A Polícia Federal, por outro lado, sustenta que a repetição da sequência e os cinco casos recuperados diretamente validam o padrão identificado.

    Por fim, o próprio relatório afirma que a análise não é exaustiva e poderá receber atualizações conforme o avanço das investigações.

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