Falta de rede de apoio ameaça permanência de mães adolescentes na escola
Dados citados mostram que 10,7% dos bebês nascidos em Goiás em 2025 tinham mães menores de 18 anos
A candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil) defende a criação de uma rede de apoio para garantir a permanência de mães adolescentes na escola em Goiás.
Segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) citados no material, 10,7% dos bebês nascidos em Goiás em 2025 tinham mães menores de 18 anos. Além disso, 330 recém-nascidos eram filhos de mães entre 10 e 14 anos.
Para Arianne, a gravidez na adolescência exige políticas que permitam conciliar maternidade, cuidados de saúde e continuidade dos estudos.
Evasão escolar
A candidata aponta a evasão escolar como um dos principais impactos enfrentados pelas adolescentes que se tornam mães.
Segundo dados da PNAD Contínua referentes a 2023 e apresentados no material, mais de 23% das mães menores de 18 anos abandonavam a escola por fatores relacionados à gravidez, gestação ou parto.
Durante a gestação, por exemplo, consultas médicas e mudanças físicas podem afetar a rotina escolar. Além disso, cansaço e ausências podem dificultar o acompanhamento das aulas.
Depois do nascimento, por sua vez, os cuidados com o bebê reduzem o tempo disponível para estudar. Nesse período, a falta de creches e de uma rede de apoio também aparece entre as dificuldades citadas.
Apoio nas escolas
Para enfrentar esse cenário, Arianne propõe a presença de um profissional especializado na rede pública de ensino.
Segundo a candidata, esse profissional teria a função de acompanhar faltas e rendimento escolar. Além disso, poderia identificar sinais de abandono antes do afastamento definitivo.
“Esse profissional da área educacional vai monitorar faltas, rendimento, identificar os sinais de abandono escolar antes que ele aconteça de fato, negociar reposição de atividades e funcionar como uma ponte entre a escola e a rede de assistência social, de um lado, e da área de saúde pública, de outro”, afirmou.
Arianne também defende integração entre escolas, famílias, assistência social e serviços de saúde.
Dessa forma, a proposta busca criar condições para a permanência de mães adolescentes na escola mesmo durante períodos de maior dificuldade.
Plano individual
Outro ponto defendido pela candidata é a criação de um plano individual de permanência escolar.
Na avaliação de Arianne, cada estudante deveria ter uma rotina adaptada às necessidades da gestação e da maternidade.
Assim, consultas de pré-natal, cuidados nutricionais e outras demandas de saúde poderiam ser conciliados com as atividades escolares.
Ao mesmo tempo, a candidata sugere ajustes temporários de frequência, recuperação de conteúdos e adaptação das atividades curriculares.
Além disso, ela cita a possibilidade de uso do ensino a distância quando necessário.
“Tudo tem que estar submetido a um objetivo fundamental: o retorno planejado à escola após a gestação”, afirmou.
Participação da família
Arianne também considera o apoio familiar essencial para reduzir o risco de abandono dos estudos.
Segundo ela, pais ou responsáveis deveriam participar do planejamento da rotina da adolescente.
“Tem de haver um verdadeiro pacto entre a mãe menor, os pais ou responsáveis e a rotina que viabilizará o tempo disponível para estudo”, declarou.
Nesse planejamento, a candidata cita horários, calendários e períodos de avaliação.
Por fim, Arianne afirma que fatores como medo, culpa, estigma e baixa autoestima também podem influenciar a decisão de abandonar os estudos.
Para ela, fortalecer a permanência de mães adolescentes na escola exige acompanhamento educacional, apoio familiar e articulação com outras áreas do poder público.
“Uma coisa é preciso deixar clara: escola não é luxo. É necessidade básica, quase tão vital quanto comer”, afirmou.