Caso Master: veja os ministros citados, valores e ligações com Vorcaro
Registros incluem contratos com escritórios de familiares, movimentações financeiras, encontros e viagens; presença nos documentos não significa, por si só, irregularidade
Documentos, mensagens e relatórios relacionados ao caso Master e ministros do STF citam cinco integrantes atuais do Supremo Tribunal Federal em episódios ligados direta ou indiretamente a Daniel Vorcaro.
Até esta segunda-feira (21), aparecem no material Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
As situações, contudo, são diferentes. Enquanto alguns registros envolvem contratos milionários e relações profissionais de familiares, outros tratam de encontros, viagens ou mensagens.
Além disso, a presença dos nomes nos documentos não significa, por si só, que os ministros tenham cometido irregularidades ou que todos sejam formalmente investigados.
Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes aparece em diferentes frentes do caso Master e ministros do STF.
Uma delas envolve o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que tem como sócios sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e dois filhos do casal.
O escritório firmou contrato com o Banco Master estimado em R$ 131 milhões, com pagamentos mensais durante 36 meses.
Como o banco entrou em liquidação antes do término do acordo, reportagens apontam que aproximadamente R$ 80,4 milhões teriam chegado à banca até 2025.
O escritório afirma, porém, que prestou serviços jurídicos efetivos. Segundo a banca, foram 94 reuniões, 36 pareceres e opiniões jurídicas e participação de 15 advogados entre 2024 e novembro de 2025.
Além disso, a banca afirma que não representou o Master no STF.
A Polícia Federal também identificou, por meio de metadados, edições atribuídas a Moraes em uma versão do contrato antes da assinatura. O ministro afirmou que analisou o documento para evitar conflitos de interesse relacionados à sua atuação no Supremo.
Outro documento envolvendo a Viking Participações, empresa de Vorcaro, previa R$ 50 milhões por serviços jurídicos. Entretanto, a versão divulgada pelo STF não continha assinaturas.
Mensagens recuperadas pela PF também indicam contatos entre Vorcaro e Moraes antes da prisão do banqueiro. Moraes nega irregularidades e contesta a interpretação dada às conversas.
Também surgiram registros de viagens de Moraes e da esposa em aeronaves operadas pela Prime Aviation, empresa que já teve Vorcaro como sócio.
O escritório de Viviane afirmou que contratou regularmente serviço de táxi aéreo e negou viagem conjunta ou vínculo pessoal com o banqueiro.
Nesta segunda-feira, Moraes ainda declarou impedimento para relatar uma ação que pede informações sobre visitas de sua esposa e de Vorcaro ao Senado.
Dias Toffoli
Dias Toffoli também aparece nos documentos relacionados ao caso.
Inicialmente, ele ocupava a relatoria do processo Master no Supremo. Depois, deixou a função após a PF encaminhar ao presidente da Corte, Edson Fachin, informações sobre negócios envolvendo uma empresa de sua família e fundos ligados ao grupo de Vorcaro.
O principal ponto envolve o Tayayá Resort, no Paraná.
Toffoli e seus irmãos participaram da Maridt Participações, empresa que possuía participação no empreendimento.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro e documentos financeiros apontaram movimentações de R$ 35 milhões relacionadas ao fundo que participou da compra da fatia da empresa da família Toffoli.
Segundo o material, os valores teriam saído em duas parcelas, de R$ 20 milhões e R$ 15 milhões.
A PF levantou a hipótese de que Toffoli pudesse ser beneficiário final de estruturas ligadas ao fundo Arleen. O ministro, por outro lado, contesta essa interpretação.
Além disso, não há comprovação pública de que os R$ 35 milhões tenham sido pagos diretamente a Toffoli.
Documentos também registram viagens do ministro em aeronave de empresa que tinha Vorcaro como sócio. Toffoli nega relação financeira pessoal com o banqueiro e afirma que as operações envolvendo sua empresa familiar ocorreram antes de assumir a relatoria.
Kassio Nunes Marques
Kassio Nunes Marques ganhou novos desdobramentos no caso Master e ministros do STF nesta segunda-feira.
Mensagens do celular de Vorcaro tratam de pagamentos relacionados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro.
Em uma das conversas, um diretor jurídico do Master mencionou pagamentos de R$ 500 mil por mês.
Kevin, contudo, afirma que nunca recebeu esse valor.
Segundo sua assessoria, o advogado recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos tributários, sem relação com decisões do STF ou pagamentos diretos do Banco Master.
Outro documento enviado pela PF ao Supremo revelou um contrato de honorários que poderia alcançar R$ 427 milhões.
O acordo envolvia o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, ligado à advogada Camilla Ramos, e previa pagamento de 5% sobre valores obtidos em 12 ações envolvendo precatórios de interesse do Master.
As causas poderiam liberar aproximadamente R$ 8,5 bilhões.
Além disso, mensagens de assessores de Vorcaro chamavam Camilla e o marido, o desembargador Newton Ramos, de “Turma do KN”, expressão que, segundo as conversas analisadas, faria referência a Kassio Nunes Marques.
Isso, porém, não significa que os R$ 427 milhões seriam destinados ao ministro. O valor iria para o escritório contratado apenas em caso de êxito nas ações.
Nunes Marques afirmou que nunca autorizou terceiros a falarem em seu nome, nunca conversou com Vorcaro e não atuou para beneficiar o Banco Master.
Na semana passada, o ministro também deixou de participar de julgamento relacionado ao caso depois que mensagens envolvendo seu filho vieram a público.
André Mendonça
André Mendonça confirmou que recebeu Daniel Vorcaro para uma reunião em março de 2025.
Segundo o ministro, o encontro durou entre 20 e 30 minutos e tratou de precatórios ligados ao Banco Master.
Mensagens encontradas pela PF indicam que o deputado Cezinha de Madureira e um advogado articularam o encontro.
Até o momento, porém, o material apresentado não identifica pagamento de Vorcaro a Mendonça.
Outro elo envolve o Instituto Iter, fundado pelo ministro.
Vorcaro recebeu convite para pelo menos dois eventos da instituição, embora não exista confirmação de participação.
Além disso, Mendonça deixou a sociedade do instituto em setembro deste ano.
O Iter recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa de Lucas Kallas, empresário que já manteve negócios com Vorcaro.
Nesse caso, contudo, o dinheiro não veio do Banco Master nem de Vorcaro.
O contrato previa até R$ 5,9 milhões e funcionava como mútuo conversível. Segundo o instituto, a devolução dos recursos começou em janeiro de 2026.
Mendonça afirma que sua atuação no Supremo não favoreceu interesses do banqueiro.
Luiz Fux
Até agora, o material apresentado não aponta pagamento do Master diretamente a Luiz Fux ou ao escritório de seu filho, Rodrigo Fux.
O elo identificado pela PF envolve mensagens trocadas entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro durante mais de um ano.
Segundo os registros, os dois mantiveram contatos, reuniões e videochamadas.
Em novembro de 2024, por exemplo, Vorcaro afirmou que queria chamar Rodrigo para ajudá-lo em um caso.
Outras mensagens mostram tratativas para encontros em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, Rodrigo teria participado da organização de um compromisso relacionado a Vorcaro em Londres.
Fux afirma que nunca teve relação com Vorcaro e que nunca encontrou pessoalmente o banqueiro.
Já o escritório de Rodrigo Fux afirma que não prestou serviços, não advogou e não recebeu valores de Vorcaro, do Master ou de empresas ligadas ao grupo.
Lewandowski também aparece
Fora dos cinco atuais ministros citados no núcleo das revelações, Ricardo Lewandowski também aparece por meio de relação contratual envolvendo seu antigo escritório.
O Lewandowski Advocacia manteve contrato de consultoria com o Banco Master no valor de R$ 250 mil por mês.
O acordo começou em 2023 e continuou durante parte do período em que Lewandowski comandava o Ministério da Justiça.
Segundo reportagem citada no material, o valor bruto teria chegado a aproximadamente R$ 6,5 milhões, dos quais cerca de R$ 5,25 milhões teriam sido pagos depois que Lewandowski assumiu o ministério.
Lewandowski deixou formalmente o escritório antes de assumir o cargo público. A banca permaneceu sob responsabilidade de familiares.
Além disso, mensagens divulgadas nesta segunda mostram Vorcaro pedindo ao então diretor jurídico do Master que encontrasse um caso ou parecer para Enrique Lewandowski, filho do ex-ministro, dentro da relação contratual existente.
O escritório afirma que prestava consultoria ao banco em questões fiscais e tributárias.
Fachin e Dino
Edson Fachin e Flávio Dino também aparecem no contexto do caso, mas de forma diferente.
Até o momento, segundo o material apresentado, os dois são mencionados principalmente por decisões e atos relacionados à tramitação das investigações no Supremo.
Assim, não há indicação, no conteúdo fornecido, de contratos, pagamentos ou relações comerciais conhecidas entre eles e o Banco Master.
Por isso, o caso Master e ministros do STF reúne situações de naturezas distintas e exige separar contratos, relações familiares, contatos, encontros e decisões judiciais.