Flamengo critica proposta de Lula de proibir bets e cita insegurança jurídica
Clube argumenta que eventual proibição pode fortalecer plataformas clandestinas e afetar receitas do esporte, empregos e arrecadação
O Flamengo divulgou nesta sexta-feira (25) uma nota contra a proposta de proibir bets no Brasil defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o clube, uma mudança nas regras poderia comprometer a segurança jurídica e afetar contratos e investimentos realizados depois da regulamentação do setor.
“Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, afirma o comunicado.
Além disso, o Flamengo defende que o governo aperfeiçoe as regras existentes, aumente as exigências e puna empresas que descumpram a legislação.
Por outro lado, o clube considera essas medidas diferentes do encerramento do mercado autorizado.
Fala de Lula
A manifestação ocorre depois de Lula defender o fim das bets.
Na quarta-feira (23), durante um ato de campanha no Rio de Janeiro, o presidente afirmou que os clubes precisariam buscar outras formas de financiamento.
Assim, o posicionamento do Flamengo entra diretamente no debate sobre a proposta de proibir bets no Brasil.
O clube concentra sua crítica nos possíveis efeitos econômicos e jurídicos de uma mudança no modelo atual.
Impacto no esporte
Segundo o Flamengo, uma eventual proibição atingiria diferentes áreas do esporte.
Entre elas, o clube cita o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.
Além disso, o comunicado sustenta que instituições com receitas menores também poderiam sentir os efeitos.
A nota menciona ainda possíveis impactos sobre empregos diretos e indiretos, fornecedores e arenas.
Ao mesmo tempo, o Flamengo inclui empresas de comunicação, marketing e tecnologia entre os setores que poderiam enfrentar consequências.
Arrecadação pública
O clube também argumenta que o encerramento das operações legais reduziria a arrecadação de impostos.
Além disso, a nota cita os repasses previstos na legislação como outra fonte que poderia sofrer impacto.
Dessa forma, o Flamengo apresenta a questão tributária como um dos argumentos contra a proposta de proibir bets no Brasil.
O comunicado, porém, expressa a posição institucional do clube sobre os possíveis efeitos da medida.
Mercado clandestino
Outro ponto levantado pelo Flamengo envolve as plataformas ilegais.
Na avaliação do clube, a proibição das empresas autorizadas não eliminaria as apostas.
Ao contrário, a nota sustenta que plataformas clandestinas poderiam ocupar parte desse espaço.
Com isso, segundo o Flamengo, aumentariam as dificuldades para fiscalização e proteção dos consumidores.
Dados citados
Para sustentar esse argumento, o clube cita pesquisa do Instituto Locomotiva realizada em maio de 2026 com 2.291 apostadores.
A partir desse levantamento, um estudo da LCA Consultores estima que plataformas ilegais concentrem entre 38% e 44% do valor apostado on-line no Brasil.
Além disso, segundo os números reproduzidos pelo Flamengo, a participação estimada do mercado clandestino ficou entre 41% e 51% em 2025.
Já no primeiro semestre de 2026, essa estimativa passou para uma faixa entre 38% e 44%.