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    Do Banco Master a Nossa Senhora Aparecida: as crises que atravessaram a reta final da eleição

    Em poucas semanas, investigações financeiras, divergências entre ministros do Supremo e uma controvérsia religiosa deslocaram sucessivamente o centro do debate presidencial

    As crises na reta final da eleição presidencial mudaram repetidamente o foco da campanha ao longo de setembro. Em poucas semanas, o debate passou pelo Banco Master, alcançou uma disputa dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e chegou à controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

    Os episódios têm origens diferentes. Entretanto, acabaram se encontrando no ambiente político e eleitoral.

    Além disso, os casos ganharam espaço nas redes sociais, nos discursos das campanhas e, em diferentes momentos, no Judiciário.

    Banco Master abre sequência

    Setembro começou com forte repercussão das investigações relacionadas ao antigo Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.

    Em 1º de setembro, segundo o material, o ministro André Mendonça tornou públicos detalhes de uma investigação da Polícia Federal. O conteúdo apontava contatos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e tratava de negociações envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes.

    A partir daí, o episódio deixou de se limitar às investigações financeiras.

    Moraes questionou a forma de divulgação dos documentos e pediu a publicidade de todo o material relacionado ao caso.

    Mendonça, por sua vez, defendeu sua atuação. Além disso, o presidente do STF, Edson Fachin, interveio em diferentes momentos da crise.

    Caso chega à campanha

    Ao mesmo tempo, o Banco Master passou a ocupar o discurso eleitoral.

    Lula citou Vorcaro em ataques políticos e buscou associar o crescimento do banco ao período do governo Jair Bolsonaro.

    Flávio Bolsonaro, por outro lado, respondeu a reportagens e investigações que mencionavam relações com pessoas ligadas ao empresário.

    Assim, uma investigação inicialmente ligada ao setor financeiro passou a integrar diretamente as crises na reta final da eleição presidencial.

    Tensão dentro do STF

    Os desdobramentos também produziram divergências públicas dentro do Supremo.

    Segundo o material, decisões relacionadas à Polícia Federal, ao acesso a documentos e à divulgação das investigações provocaram novos embates entre ministros.

    Fachin determinou a abertura de parte dos procedimentos.

    Enquanto isso, Moraes acusou Mendonça de promover divulgação seletiva de informações.

    Mendonça respondeu afirmando que preservava elementos protegidos por sigilo e diligências ainda em andamento.

    Com isso, o caso passou a envolver Banco Master, Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.

    Nossa Senhora entra no debate

    Nos últimos dias da campanha, outro assunto passou a dominar as redes.

    Começou a circular a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso chegasse à Presidência.

    Segundo o material apresentado, a informação não corresponde à autoria do projeto citado.

    O texto atribui a proposta a outro parlamentar e informa que ela acabou arquivada. Além disso, Flávio Bolsonaro negou publicamente defender essa mudança.

    Mesmo assim, o tema ganhou forte repercussão.

    Aliados de Lula passaram a abordar Nossa Senhora Aparecida durante a campanha. Flávio, por sua vez, divulgou vídeos negando a acusação e procurou a Justiça Eleitoral.

    TSE entra no caso

    A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral.

    André Mendonça determinou a retirada de publicações que apresentavam como verdadeira a suposta intenção de Flávio de retirar o título de Padroeira do Brasil.

    Entre os conteúdos atingidos estava uma postagem do humorista Antonio Tabet.

    Depois disso, Tabet recorreu ao Supremo.

    No domingo, 27 de setembro, Flávio Dino derrubou a ordem de remoção daquela publicação. Segundo o material, o ministro considerou insuficientes os elementos para justificar uma restrição ampla à liberdade de expressão naquele caso.

    Novo capítulo no Supremo

    No dia seguinte, a campanha de Flávio Bolsonaro recorreu ao ministro Luiz Fux e pediu a suspensão da decisão de Dino.

    Dino, por sua vez, encaminhou sua decisão para análise do plenário do STF.

    Assim, a controvérsia voltou a colocar o Supremo no centro das crises na reta final da eleição presidencial.

    Além disso, a discussão passou a envolver simultaneamente desinformação, liberdade de expressão, religião e propaganda eleitoral.

    CNBB entra na discussão

    A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil também passou a fazer parte do episódio.

    Flávio Bolsonaro acusou pessoas ligadas à entidade de participarem da disseminação do conteúdo.

    A CNBB negou envolvimento.

    Além disso, segundo o material, a Conferência afirmou que a acusação não apresentava provas.

    Com isso, uma discussão iniciada nas redes sociais passou a envolver também uma das principais entidades católicas do país.

    Alcance nas redes

    O episódio relacionado a Nossa Senhora Aparecida também ganhou grande volume de interações.

    Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque citado no material, aproximadamente 1,3 milhão de publicações relacionadas ao tema geraram 124 milhões de interações entre 23 e 27 de setembro.

    Dessa forma, o assunto ganhou projeção justamente na semana anterior ao primeiro turno.

    Reta final sob pressão

    Em menos de um mês, o centro do debate eleitoral mudou diversas vezes.

    Primeiro, as investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master ocuparam espaço na campanha.

    Depois, os desdobramentos abriram uma disputa envolvendo ministros do Supremo.

    Por fim, a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida levou novamente campanhas e Judiciário ao centro da discussão.

    Assim, as crises na reta final da eleição presidencial deslocaram parte da atenção das propostas de governo para investigações, disputas judiciais e controvérsias que ganharam força nas redes sociais.

    Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro chegam aos últimos dias da campanha depois de uma sequência de episódios que alterou repetidamente a pauta eleitoral.

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