E se a barragem de Itaipu rompesse? Até onde iria a água
Simulação acadêmica estima impactos na Tríplice Fronteira, enquanto usina monitora cheias provocadas pelas chuvas no Paraná.
As fortes chuvas no Paraná levaram Itaipu a abrir a segunda calha do vertedouro nesta terça-feira (13). Com a atenção voltada aos rios, surge uma curiosidade: até onde a água chegaria se a barragem de Itaipu rompesse?
Uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR), apresentada em 2024, simulou essa hipótese. Contudo, o trabalho analisa uma situação extrema e não constitui um alerta sobre as chuvas atuais.
O reservatório tem 170 quilômetros de extensão e ocupa 1.350 quilômetros quadrados no nível normal. Além disso, armazena 29 bilhões de metros cúbicos no nível máximo normal. Para comparar, esse volume equivale a 11,6 milhões de piscinas de 50 metros por 25 metros e dois metros de profundidade.
Até onde a água chegaria
Na simulação, cheias com tempo de retorno de 10 mil anos se combinam à falha de seis das 14 comportas. Assim, a água ultrapassaria o topo da barragem de terra na margem brasileira e provocaria sua ruptura.
O modelo acompanhou 412 quilômetros do rio Paraná, até uma seção antes do reservatório de Yacyretá, entre Paraguai e Argentina. Portanto, esse recorte não permite concluir que a água pararia naquele ponto.
Na Tríplice Fronteira, as áreas urbanas alagadas seriam:
| Cidade | Área urbana alagada na simulação |
|---|---|
| Ciudad del Este, no Paraguai | 578,08 hectares |
| Foz do Iguaçu, no Brasil | 361 hectares |
| Puerto Iguazú, na Argentina | 152,66 hectares |
Os totais incluem os efeitos da cheia extrema e do hipotético rompimento. Segundo os autores, o relevo do vale restringiria o espalhamento lateral. Ainda assim, eles destacam limitações do modelo, como a necessidade de dados topográficos mais precisos.
Como funciona a segurança de Itaipu
Segundo a binacional, a segurança depende de vigilância, manutenção e inspeções das estruturas. Milhares de instrumentos acompanham movimentos, pressões, temperaturas e infiltrações. Parte das leituras ocorre automaticamente, enquanto equipes também realizam inspeções visuais.
Além disso, Itaipu informa que submete suas estruturas à análise de um grupo internacional de engenheiros a cada quatro anos. Os especialistas avaliam o desempenho da barragem e orientam medidas de manutenção e aperfeiçoamento.
Outro componente é o vertedouro, que libera a água não utilizada na geração de energia. Ele possui três calhas, 14 comportas e capacidade máxima de 62.200 metros cúbicos por segundo. Por isso, abrir o vertedouro faz parte da operação da usina.
O que ocorre com as chuvas atuais
Na manhã desta terça-feira, a vazão pelo vertedouro correspondia a 17,2% da capacidade máxima, segundo Itaipu. A abertura da segunda calha seguiu os procedimentos operacionais para distribuir o escoamento da água.
Enquanto isso, a cheia já alcançou o Porto de Areia, em Foz do Iguaçu. No Paraguai, mais de 100 famílias do bairro San Rafael, em Ciudad del Este, receberam assistência após as inundações.
A Comissão Especial de Cheias de Itaipu mantém o acompanhamento dos rios Paraná e Iguaçu. Paralelamente, a Defesa Civil monitora as áreas ribeirinhas e orienta a retirada preventiva de moradores quando necessário.