Presidente do Peru quer proibir maquiagem, cabelo comprido e celulares nas escolas
Governo de Keiko Fujimori propõe regras de aparência, notas de comportamento e expulsão por infrações graves. Medidas de disciplina passam por consulta pública.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, apresentou uma proposta para restringir o uso de maquiagem, esmaltes e cabelos tingidos nas escolas públicas do país. Além disso, o governo quer exigir cabelo curto dos meninos e estabelecer regras para o comprimento dos uniformes.
As medidas foram anunciadas na segunda-feira (12) e integram uma política de disciplina escolar. Segundo Fujimori, o objetivo é recuperar a autoridade dos professores e combater episódios de violência e assédio nas instituições de ensino.
As novas regras escolares no Peru também incluem notas de comportamento e a possibilidade de expulsão em casos graves. Entretanto, o governo abriu uma consulta pública de 15 dias antes de concluir o regulamento disciplinar.
Regras nas escolas
O ministro da Educação, José Antonio Chang, explicou que a proposta estabelece restrições ao uso de brincos, correntes, anéis e outros acessórios.
Além disso, os estudantes não poderão usar cabelos tingidos ou maquiagem nas unidades públicas de ensino. Os meninos deverão manter o cabelo curto, enquanto as saias escolares precisarão respeitar o comprimento previsto nas normas.
O governo também defende restrições ao uso de celulares durante as aulas. Nesse caso, o Peru já publicou uma regulamentação específica sobre dispositivos eletrônicos, permitindo exceções para finalidades pedagógicas.
Por outro lado, as escolas particulares poderão definir suas próprias normas de apresentação pessoal, respeitando as disposições legais aplicáveis.
Punições e expulsões
As novas regras escolares no Peru também preveem a retomada das notas de comportamento. Dessa forma, as instituições poderão avaliar a conduta dos alunos ao longo do período letivo.
Além disso, o governo pretende permitir a expulsão de estudantes responsáveis por infrações muito graves, conforme os critérios do regulamento.
Entre as condutas mencionadas estão agressões, ameaças, assédio sexual e outros episódios de violência escolar.
Segundo Fujimori, as medidas buscam reforçar a convivência nas escolas e oferecer mais instrumentos disciplinares aos professores e diretores.
Críticas à proposta
O anúncio provocou críticas de especialistas em educação e representantes da oposição. Os questionamentos envolvem principalmente a relação entre aparência pessoal, disciplina e liberdade individual.
A ex-vice-ministra da Educação Ana Andrade Pacora criticou as restrições. Para ela, o enfrentamento da violência exige políticas mais amplas, em vez de concentrar as medidas no cabelo e na aparência dos estudantes.
Além disso, críticos argumentam que regras diferentes para meninos e meninas podem reforçar estereótipos de gênero.
Por outro lado, o governo sustenta que a proposta integra uma estratégia para enfrentar comportamentos violentos e fortalecer a autoridade dos profissionais da educação.
Consulta pública
O debate ocorre em meio à preocupação com a violência nas escolas peruanas. Segundo dados oficiais citados pela imprensa local, o país registrou 11.805 ocorrências de violência escolar entre janeiro e agosto de 2026.
Nesse contexto, o governo apresentou o novo regulamento e abriu prazo para manifestações da sociedade.
Entretanto, as propostas de aparência pessoal e disciplina ainda precisam cumprir as etapas de avaliação antes da adoção definitiva.
As novas regras escolares no Peru seguem em discussão, enquanto autoridades educacionais analisam as contribuições recebidas durante a consulta pública.