Da jornada sem limites ao fim da escala 6×1: como o trabalho mudou no Brasil
País passou por mais de um século de mudanças nas leis trabalhistas. Nova emenda constitucional garante duas folgas semanais e redução gradual da jornada até 2027.
O fim da escala 6×1, promulgado pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16), representa uma das principais mudanças nas relações de trabalho no Brasil desde a Constituição de 1988. A nova regra estabelece cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, sem redução salarial. A jornada máxima cairá gradualmente de 44 para 40 horas semanais.
A mudança encerra mais uma etapa de uma trajetória marcada por reivindicações trabalhistas, criação de leis e ampliação de direitos. A evolução da jornada de trabalho no país começou antes mesmo da criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943.
Das jornadas extensas aos primeiros direitos
Durante séculos, a economia brasileira utilizou amplamente o trabalho escravizado. Mesmo após a abolição, em 1888, o país ainda não contava com uma legislação abrangente para limitar as horas de trabalho.
No início do século 20, movimentos operários começaram a reivindicar melhores condições. Em 1912, a Confederação Brasileira do Trabalho defendia jornadas de oito horas diárias, além de salário mínimo e proteção contra acidentes.
Posteriormente, o governo criou o Departamento Nacional do Trabalho, em 1918, e o Conselho Nacional do Trabalho, em 1923. Essas iniciativas abriram caminho para uma estrutura nacional de proteção aos trabalhadores.
Da CLT à Constituição de 1988
A evolução da jornada de trabalho ganhou força durante o governo de Getúlio Vargas. Em 1930, o governo criou o Ministério do Trabalho. Depois, em 1941, instalou a Justiça do Trabalho.
Dois anos mais tarde, a CLT reuniu normas sobre contratos, férias, remuneração e condições de trabalho.
Durante décadas, a legislação brasileira permitiu jornadas de até 48 horas semanais. Entretanto, a Constituição de 1988 reduziu esse limite para 44 horas, mantendo a jornada regular de oito horas diárias.
A alteração representou um dos principais avanços na regulamentação do tempo de trabalho e permaneceu como referência durante 38 anos.
Fim da escala 6×1 muda regras em 2026
Agora, a Emenda Constitucional 141/2026 estabelece uma nova etapa na evolução da jornada de trabalho brasileira.
A partir de 16 de dezembro de 2026, a regra geral passará a prever dois dias de descanso semanal e jornada máxima de 42 horas.
Em dezembro de 2027, o limite cairá para 40 horas semanais, sem redução salarial. A transição completa ocorrerá em 14 meses.
A emenda também permite escalas diferenciadas mediante negociação coletiva. Nesses casos, os trabalhadores deverão receber, em média, duas folgas remuneradas por semana, dentro do mesmo mês. Trabalhadores terceirizados da administração pública terão regras específicas de transição.
Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a redução da jornada poderá beneficiar 26,8 milhões de trabalhadores.
Assim, a evolução da jornada de trabalho chega a um novo marco, após décadas de mudanças nas leis brasileiras. A implantação das regras exigirá adaptações de empresas e trabalhadores.