PL lança Rogério Marinho ao Senado, mas divisão na direita pode favorecer Alcolumbre
Com 40 votos declarados, Marinho enfrenta articulações de Tereza Cristina e movimentação de Arthur Lira nos bastidores.
O PL oficializou nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à Presidência do Senado, em uma tentativa de impedir a recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Entretanto, a disputa pela Presidência do Senado expõe divisões na direita e movimentações de bastidores que podem favorecer o atual presidente da Casa. A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027.
Com 29 parlamentares na próxima legislatura, o PL terá a maior bancada do Senado. Além disso, Marinho conta com o apoio formal do Novo, que elegeu três senadores. O candidato afirma reunir pelo menos 40 votos, um a menos que os 41 necessários para conquistar a presidência da Casa.
Direita dividida
O principal obstáculo à candidatura de Rogério Marinho pode estar dentro da própria oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também articula uma candidatura e busca apoio entre parlamentares do Centrão e setores da direita que resistem ao nome do senador potiguar.
A possibilidade de duas candidaturas oposicionistas preocupa aliados de Marinho. Isso porque a divisão poderia dispersar votos e abrir espaço para a recondução de Davi Alcolumbre, que busca apoio de partidos do Centrão e de setores governistas.
Entretanto, Tereza Cristina mantém sua disposição de concorrer. A senadora pretende se tornar a primeira mulher a presidir o Senado Federal.
Arthur Lira nos bastidores
A disputa pela Presidência do Senado também envolve articulações do senador eleito Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados.
Segundo informações atribuídas à CNN Brasil, Alcolumbre conta com a atuação de Lira para reduzir resistências dentro do PP e entre parlamentares de centro-direita. Em contrapartida, o senador eleito é apontado nas articulações como possível sucessor do atual presidente em 2029.
Nesse cenário, a candidatura de Tereza Cristina passou a alimentar suspeitas, entre interlocutores políticos, de que poderia contribuir para fragmentar a oposição e facilitar a recondução de Alcolumbre.
No entanto, não há comprovação de que a senadora tenha lançado sua candidatura a pedido de Arthur Lira ou Davi Alcolumbre. A movimentação também pode representar uma tentativa própria de Tereza Cristina de construir uma alternativa para o comando da Casa.
Acordo para janeiro
Apesar das divergências, Rogério Marinho afirma manter um entendimento com Tereza Cristina para evitar que os dois cheguem à eleição como adversários.
A proposta discutida entre os parlamentares prevê que o candidato com menor viabilidade retire seu nome em janeiro. Dessa forma, a oposição poderia concentrar seus votos em uma candidatura única.
Entretanto, a senadora ainda não anunciou qualquer desistência. Por isso, a possibilidade de unificação permanece condicionada ao avanço das negociações.
A disputa pela Presidência do Senado será decidida em votação secreta no dia 1º de fevereiro de 2027. Para vencer, um candidato precisará conquistar a maioria absoluta dos votos, equivalente a 41 senadores.