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    Goiânia precisa sair do engarrafamento: Por uma mobilidade que funcione para o povo

    Amigos e amigas goianienses, não dá mais para aceitar que Goiânia continue refém do caos no trânsito. Nossa capital, que deveria ser modelo para o Centro-Oeste, vive um verdadeiro colapso na mobilidade urbana. São mais de 1,5 milhão de habitantes presos em engarrafamentos intermináveis, dependendo de carros particulares porque o transporte público simplesmente não atende. Enquanto isso, quem tem que se virar para chegar no trabalho, na escola ou no posto de saúde é sempre o povo trabalhador, que perde horas esperando ônibus que não chegam ou parados no trânsito e quando ele sobe no ônibus, a pessoa fica espremida em veículos lotados. Não é possível que em pleno 2025 ainda estejamos discutindo o básico: o direito de ir e vir com dignidade.

    A realidade nas ruas de Goiânia é dura e todo mundo sente na pele. São mais de 1,2 milhão de carros circulando numa cidade que não foi planejada para isso, criando um ciclo vicioso: mais carros, mais poluição, mais tempo perdido, mais estresse. O trabalhador que mora na periferia demora duas, três horas para chegar no centro da cidade, quando deveria demorar 40 minutos com um transporte público que prestasse. E não é só questão de tempo não, é questão de saúde também – a poluição do ar está matando nosso povo, especialmente as crianças e os idosos. Enquanto isso, quem tem dinheiro para morar perto do trabalho ou comprar carro do ano não sente tanto o problema, mas a maioria da população sofre todos os dias com essa situação.

    Chegou a hora de mexer no que está aí e fazer diferente, com políticas públicas que priorizem o povo, não os interesses das empresas e do SETRANSP. Goiânia precisa de um transporte público de verdade: ônibus novos, ar-condicionado, melhor frequência nas linhas, terminais mais confortáveis e humanizados, tarifas que o trabalhador consiga pagar. Precisamos de ciclofaixas que conectem os bairros, não só uns pedacinhos soltos que não levam a lugar nenhum. E tem que pensar no meio ambiente também – transporte elétrico, mais áreas verdes, menos poluição. Não é utopia não, é necessidade básica para quem quer viver numa cidade civilizada.

    As soluções existem e outras cidades já provaram que funciona. Olhem o que Curitiba fez com o BRT, o que Brasília está fazendo com o metrô, o que algumas cidades estão implementando com VLT. Goiânia pode e deve ter um sistema integrado: ônibus articulado nas avenidas principais, ciclofaixas conectadas, estações de integração que funcionem de verdade, espaços para bicicletários com segurança, mais faixas exclusivas nas grandes vias. Tem que planejar a cidade pensando em quem mora nela, não em quem especula. Moradia popular perto do emprego, comércio nos bairros para não precisar grandes deslocamentos, escola e posto de saúde acessíveis. Isso é planejamento urbano do povo, para o povo.

    A luta pela mobilidade urbana em Goiânia é a luta por uma cidade mais justa, onde todo mundo tenha direito de ir e vir sem gastar uma fortuna ou perder a vida no trânsito. Não podemos aceitar que essa questão continue sendo tratada como privilégio de alguns. O poder público tem que entender que mobilidade é direito básico, igual saúde e educação. E o povo, tem que cobrar, pressionar, ocupar os espaços de decisão para que essas mudanças aconteçam. O futuro de Goiânia depende de conseguir transformar a mobilidade urbana numa ferramenta de inclusão social, não de exclusão. É hora de sair do papel e partir para a ação, porque quem precisa se deslocar na cidade, não pode esperar mais.

    ✍ Itamar Oliveira
    🌱 Engenheiro Ambiental | Diretor-Geral da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Timon (AGERT)
    📱 Instagram: @itamar.jr82

     

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