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    Transporte para crianças: MPGO cobra regularização

    Recomendação aponta falhas graves no transporte do TFD e fixa prazo de 15 dias para que o município apresente providências documentadas

    O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou ao município de Santa Terezinha de Goiás a regularização imediata do transporte sanitário do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para crianças e adolescentes.

    A medida foi adotada após a constatação de falhas graves, recorrentes e sistemáticas no serviço. Segundo o MPGO, os problemas comprometem a continuidade de tratamentos essenciais de saúde.

    A recomendação foi assinada pela Gabriela Paula de Castro, promotora de Justiça que atua em substituição na comarca. A iniciativa integra um procedimento administrativo instaurado após sucessivas demandas individuais.

    Além disso, há diversas ações judiciais relacionadas à interrupção ou à não oferta do transporte sanitário infantojuvenil.

    Falhas repetidas afetam diretamente crianças e adolescentes

    De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, 21 crianças e adolescentes tiveram o transporte interrompido ou não disponibilizado apenas nos últimos dois meses.

    Nesse período, as falhas ocorreram entre uma e seis vezes por paciente, o que demonstra a repetição do problema. Além disso, registros judiciais apontam saídas em horários inadequados.

    Em alguns casos, os deslocamentos ocorreram entre 1h e 3h da madrugada, horário incompatível com a condição clínica dos pacientes.

    Segundo o MPGO, essas práticas impõem desgaste físico e emocional desnecessário. O impacto é ainda maior em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH.

    Por isso, o órgão destaca violação ao princípio da prioridade absoluta, previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

    Frota insuficiente agrava o problema

    A recomendação também aponta precariedade na frota municipal. Atualmente, o município conta com sete veículos e uma ambulância de pequeno porte.

    Parte desses veículos está em manutenção. Dessa forma, a estrutura existente não atende à demanda atual do TFD.

    Segundo o MPGO, a situação comprova insuficiência estrutural. Além disso, reforça a necessidade de medidas imediatas e planejadas.

    Medidas exigidas pelo Ministério Público

    Entre as medidas recomendadas estão a regularização da oferta de vagas no TFD. O MPGO também exige a criação de sistema de controle e agendamento.

    Outro ponto é a adequação dos horários de saída. A recomendação orienta evitar deslocamentos noturnos ou de madrugada.

    Além disso, o município deve disponibilizar frota reserva e apresentar um cronograma detalhado de melhorias. Esse plano deve conter prazos, metas, responsáveis e previsão orçamentária.

    Em situações excepcionais, o MPGO orienta o custeio do transporte por meios idôneos. Entre as opções estão transporte terceirizado ou vale-transporte, mediante comprovação.

    O município tem 15 dias para apresentar resposta formal e documentada. O prazo vale para comprovar o cumprimento integral da recomendação.

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