Custo de vida em alta desafia Goiás e exige novas políticas públicas
Alta de combustíveis e alimentos ajuda a explicar avanço da inflação na capital, segundo análise de economista
O custo de vida em Goiânia voltou ao centro do debate público após a capital registrar uma das maiores altas de preços do país em maio de 2026. No mês, o IPCA ficou em 0,94%, atrás apenas de Aracaju, que marcou 1,31%.
Além disso, quando se considera o IPCA-15, usado como prévia da inflação oficial, Goiânia aparece na liderança entre as capitais, com alta de 1,41%. A média nacional do IPCA no mesmo período foi de 0,58%.
Inflação
Segundo dados citados do IBGE, a alta em Goiânia teve peso maior dos combustíveis e dos alimentos. Os grupos registraram avanço de 4,54% e 4,91%, respectivamente.
O resultado chama atenção porque a capital está em uma região com forte presença logística, produtiva e agropecuária. Ao mesmo tempo, Goiás abriga um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Ainda assim, os preços seguem pressionando o orçamento das famílias e ampliando a cobrança por respostas do poder público.
Combustíveis
Para o economista Marcus Antônio Teodoro, parte da alta dos combustíveis está ligada à carga tributária.
Segundo ele, o ICMS sobre combustíveis em Goiás tem peso relevante na formação dos preços. Além disso, o modelo de preço-pauta usado para cálculo do imposto pode ficar acima dos valores praticados no mercado.
Com isso, o preço final tende a chegar mais caro ao consumidor, mesmo em uma região metropolitana que abriga um polo petroquímico em Senador Canedo.
Alimentos
No caso dos alimentos, o economista aponta uma combinação de fatores.
Segundo Teodoro, Goiás precisa importar alguns produtos de outros estados em determinados períodos do ano, especialmente frutas, por causa da sazonalidade da produção local.
Além disso, a demanda interna e externa por alimentos produzidos em Goiás segue alta. Dessa forma, produtores muitas vezes encontram preços melhores em outros mercados, o que também pode afetar a oferta local.
Propostas
O empresário e pré-candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos) afirma que o debate sobre o custo de vida em Goiânia passa por política tributária, logística e incentivo à produção.
Segundo ele, o Estado precisa discutir onde pode reduzir impostos, principalmente no setor de combustíveis. Além disso, Mabel defende o aproveitamento da vantagem logística gerada pelo polo de Senador Canedo.
Na área de alimentos, o pré-candidato cita a possibilidade de usar instituições como GoiásFomento e Codego para ampliar crédito a pequenos produtores. Ele também defende marcos legais de incentivo a cooperativas.
Investimentos
Marcus Teodoro também avalia que a redução do custo de vida exige políticas voltadas ao ambiente produtivo.
Para o economista, o Estado deve estudar melhor os complexos alimentícios, reduzir entraves e melhorar as condições de financiamento agrícola. Ao mesmo tempo, ele aponta a necessidade de discutir a carga tributária sobre alimentos.
Já Mabel destaca que a integração das regiões produtoras pode ajudar a atender melhor o mercado interno. Segundo ele, uma logística mais eficiente beneficia quem vende e, principalmente, quem compra.
Desafio
A combinação entre combustível caro, alimentação em alta e pressão sobre a renda torna o tema sensível para famílias, empresas e governos.
Por isso, o custo de vida em Goiânia tende a ganhar espaço no debate eleitoral e nas discussões sobre políticas públicas em Goiás. A questão, agora, é saber quais medidas terão efeito real sobre preços, produção e renda da população.