Uber acelera carros sem motorista no mundo, mas Brasil pode esperar décadas
Empresa amplia investimentos em veículos autônomos e pretende operar a tecnologia em até 15 cidades ainda em 2026; custo das corridas no Brasil dificulta avanço do modelo.
A Uber está acelerando os planos para colocar carros autônomos em sua plataforma em diferentes partes do mundo. No entanto, o Brasil pode demorar décadas para receber a tecnologia em larga escala, segundo avaliação de um dos principais executivos da empresa.
Andrew Macdonald, diretor de operações da Uber, afirmou que o baixo custo das viagens realizadas por motoristas no Brasil dificulta a competição com veículos sem condutor. Segundo ele, a tarifa média paga aos motoristas brasileiros fica entre US$ 3,50 e US$ 4 por viagem.
Por isso, o executivo avalia que a tecnologia ainda precisará ficar muito mais barata antes de conseguir competir com o trabalho humano em mercados como Brasil e Índia. Macdonald disse que pode levar décadas para que essa conta se torne economicamente viável nesses países.
Expansão dos carros autônomos
Enquanto isso, a Uber avança em outros mercados. A companhia pretende intermediar viagens com veículos autônomos em até 15 cidades ao redor do mundo até o fim de 2026. A empresa já mantém parcerias com companhias como Waymo, Wayve, WeRide, Baidu, Volkswagen, Volvo e outras empresas do setor.
Além disso, a plataforma desenvolveu uma estrutura específica para integrar esse tipo de veículo ao aplicativo. O sistema inclui ferramentas de mapeamento, assistência remota, gerenciamento de frotas e suporte aos passageiros durante as viagens.
Atualmente, porém, os carros sem motorista ainda representam uma parcela pequena da operação global. Segundo Macdonald, a Uber realiza cerca de 300 milhões de viagens por semana, enquanto os veículos autônomos somam alguns milhões de corridas por mês.
Motoristas devem continuar
A estratégia indica que a expansão dos veículos autônomos não significa uma substituição imediata dos motoristas. A própria Uber afirma que pretende manter veículos autônomos e motoristas parceiros dentro da mesma plataforma.
Nos Estados Unidos, inclusive, a empresa afirma que continua registrando crescimento das viagens realizadas por pessoas mesmo em cidades onde os carros autônomos já ganharam espaço.
No Brasil, portanto, a mudança tende a acontecer de forma bem mais lenta. O principal obstáculo, segundo a própria direção da Uber, não é apenas tecnológico: é fazer o custo de um carro sem motorista competir com o valor atual das corridas realizadas por motoristas brasileiros.