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    CCJ aprova projeto da vereadora Kátia para reduzir alagamentos e preparar Goiânia para mudanças climáticas

    Proposta cria política de Cidade Esponja, amplia áreas permeáveis e busca transformar a drenagem natural em ação permanente do município

    A Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Câmara de Goiânia aprovou nesta quarta-feira (16) o projeto que cria a política de Cidade Esponja em Goiânia. A proposta é da vereadora Kátia (PT).

    O texto busca ampliar a capacidade da cidade de absorver a água das chuvas. Além disso, pretende reduzir impactos de alagamentos e inundações e preparar Goiânia para os efeitos das mudanças climáticas.

    A CCJ analisou o projeto de lei nº 488/2025 com parecer favorável.

    Drenagem natural

    A proposta chega à Câmara enquanto a Prefeitura também discute alternativas para problemas de drenagem e impermeabilização do solo.

    Nesta semana, a administração municipal anunciou a retomada do projeto de jardins de chuva. A previsão é implantar 368 unidades, começando por um projeto-piloto no Setor Oeste.

    Além disso, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) considera fatores como relevo, percurso da água e pontos com registros de alagamentos e erosões.

    Para Kátia, a proposta de Cidade Esponja em Goiânia amplia essa lógica e transforma a drenagem natural em uma política permanente.

    “Nós precisamos preparar Goiânia porque já estamos vivendo momentos muito críticos na época das chuvas, com alagamentos e inundações, e na seca com o calor intenso”, afirma.

    Segundo a vereadora, obras de infraestrutura continuam necessárias. No entanto, ela avalia que essas intervenções não conseguem conter sozinhas a força da água em eventos extremos.

    Como funciona

    O conceito de Cidade Esponja busca ampliar as áreas capazes de absorver, reter e filtrar a água da chuva.

    Dessa forma, a proposta pretende reduzir o volume que chega aos sistemas de drenagem e aos córregos.

    Entre as medidas previstas estão pavimentos permeáveis, jardins de chuva e telhados verdes.

    Além disso, o projeto inclui áreas verdes multifuncionais e sistemas descentralizados de drenagem e infiltração.

    “Ter mais áreas verdes é ter mais drenagem. Já sabemos os pontos mais críticos e temos de adaptar a cidade”, afirma Kátia.

    A vereadora também defende ações de recuperação e proteção das margens e nascentes dos córregos.

    Segundo ela, a vegetação ajuda a absorver a água durante as chuvas. Ao mesmo tempo, também contribui para amenizar o calor nos períodos de estiagem.

    Marginal Botafogo

    Kátia cita a Marginal Botafogo como um dos exemplos de área que enfrenta pontos recorrentes de alagamento durante chuvas intensas.

    Segundo a parlamentar, bairros como Jardim Goiás, Alto da Glória, Vila Redenção e Setor Pedro Ludovico poderiam receber mais áreas permeáveis.

    Com isso, a quantidade e a velocidade da água que chega ao córrego Botafogo poderiam diminuir.

    “A água infiltra no solo e não chega com tanta intensidade e volume no córrego, elevando o nível de forma tão rápida e alagando vias e colocando em risco a vida das pessoas”, explica.

    Política permanente

    A proposta também permite que o município firme parcerias com universidades, centros de pesquisa e órgãos estaduais e federais.

    Essas parcerias poderão envolver financiamento, capacitação técnica e transferência de tecnologia.

    Para Kátia, transformar a drenagem urbana em política permanente evita que as ações dependam de uma administração específica.

    “O prefeito passa, mas as questões climáticas ficam. Então, essa lei é para garantir que essas adaptações não acabem com mudanças de gestão”, afirma.

    Além da prevenção de alagamentos, a vereadora aponta outros efeitos esperados com a Cidade Esponja em Goiânia.

    Entre eles estão redução das ilhas de calor, proteção dos mananciais, aumento da biodiversidade e ampliação das áreas de convivência.

    Kátia também relaciona a proposta à qualidade ambiental e aos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população.

    Com a aprovação na CCJ, o projeto segue agora para as próximas etapas de tramitação na Câmara Municipal.

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