Lula cresce diante de uma direita sem rumo
O cenário para a eleição em 2026 muito provavelmente terminará neste ano com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em posição de amplo favoritismo. Bem diferente daquele no final de 2024, no primeiro ano do terceiro governo do petista, quando amargava elevada rejeição em todas as pesquisas de opinião.
Segundo pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta sexta-feira (24/10), pela primeira vez neste terceiro governo de Lula, a aprovação do petista superou a sua desaprovação (51,2% x 48,1%). Mais: pela primeira vez, uma pesquisa do instituto aponta que Lula pode vencer a eleição do ano que vem no primeiro turno, pois tem ampliado a sua vantagem sobre os adversários.
O que mudou?
Três fatores principais: o isolamento forçado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), desde a sua prisão domiciliar decretada em agosto deste ano pelo ministro Alexandre de Moraes (STF); a atrapalhada estratégia do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) de fomentar uma retaliação dos Estados Unidos contra o Brasil; e a clara divisão entre lideranças de centro e da direita brasileira.
A prisão de Jair Bolsonaro calou a mais importante voz da direita brasileira nos últimos dez anos. O ex-presidente passou, então, a dedicar todos os seus esforços para emplacar no Congresso Nacional uma anistia geral aos condenados do 8 de janeiro. O que, claro, também o beneficiaria. Até o momento, esta mobilização tem dado pouco resultado.
Com isso, Eduardo Bolsonaro, que decidiu se mudar para os Estados Unidos, buscou de lá ocupar o espaço deixado pelo pai. Usando a sua influência, o deputado conseguiu convencer membros do alto escalão do presidente Donald Trump que os EUA retaliassem o Brasil. Com o maior tarifaço imposto a um país estrangeiro. Isto impactou diretamente os exportadores brasileiros, inclusive o agronegócio, setor muito alinhado ao bolsonarismo.
Num sonho de ser ungido como o candidato a presidente para 2026, Eduardo Bolsonaro, também começou a atacar lideranças da direita brasileira. Entre elas, o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) que, segundo as pesquisas, é o nome mais viável (entre os elegíveis) para evitar um quarto governo de Lula.
Para completar, as lideranças do Centro e da direita começaram a se desentender publicamente. Exemplo mais recente aconteceu entre Ronaldo Caiado (União Brasil) e o senador e presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira.
Lula de volta
Todos esses fatores resultaram em algo que era imaginável no início deste ano: ressuscitar uma candidatura a reeleição do presidente Lula. Até mesmo no PT havia dúvidas. Com Jair Bolsonaro preso, o principal opositor do petista ficou sem holofotes. E nenhuma outra liderança conseguiu ainda preencher esse vácuo.
Já a retaliação do governo Trump, deu ao presidente Lula uma grande oportunidade: adotar o discurso nacionalista, enfatizando a soberania brasileira. O verde e amarelo voltou a colorir as redes sociais do petista. E, para desespero da direita brasileira, Trump e Lula iniciaram um diálogo que parecia impossível. Até mesmo as exigências americanas pró-Bolsonaro começaram a ficar em segundo plano. Tudo isso muito bem calibrado e propagado pela comunicação do governo petista.
Essa soma de acontecimentos favoráveis ao presidente Lula está se refletindo nas últimas pesquisas. Praticamente todas dão vitória ao petista na eleição presidencial. E nomes que antes empatavam com Lula ou até mesmo tinham expectativa de ganhar em cenários de segundo turno, estão perdendo vantagem a cada nova rodada. Um exemplo, Tarcísio de Freitas.
O fato é que, neste momento, Lula está em vantagem diante de uma oposição dividida e com discurso descolado do sentimento da maioria dos eleitores. O petista parece ter achado a linha do discurso e tem investido muito nela. Haja visto os últimos anúncios do seu governo, especialmente voltados para a classe média brasileira. Detalhe: muitas lideranças do Centrão já perceberam essa inversão de cenário.
Contudo, a eleição presidencial de 2026 não está definida. Longe disto. O cenário mudou muito no segundo semestre deste ano, mas ainda faltam 11 meses. Para a direita brasileira, tudo vai depender de como suas lideranças vão reagir. Principalmente, no primeiro semestre do ano que vem. E, claro, se a família Bolsonaro continuará pensando apenas nela ou e um projeto viável e agregador para o ano que vem..
