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    Confiança na Democracia Brasileira

    Uma vez, em uma sala de aula cheia de universitários, um ex-deputado federal perguntou: “De 0 a 10, qual é a nota da democracia brasileira?”. As respostas variaram entre “dois” e “sete”. Eu, no entanto, respondi com um sólido “dez”.

    Faço parte de uma geração que viveu intensamente os anos de glória da democracia no Brasil. Acreditava-se em um sistema político onde cada cidadão podia escolher livremente o candidato que melhor o representasse. Eu me lembro dos meus pais me levando para a cabine de votação, transformando aquele momento em algo maior do que um simples ato político: era quase um ritual. Um evento esperado por mim a cada dois anos, quando eu podia entrar em uma cabine de votação, apertar as teclas da urna eletrônica e ouvir o som final do “FIM”.

    Para minha geração, confiar na democracia nunca foi uma questão em debate. Essa confiança já estava dada, construída pelos que resistiram a um período em que a palavra “democracia” sequer existia no vocabulário nacional. Somos filhos daqueles que lutaram para que tivéssemos o direito de escolher quem governa o país e quem confecciona as leis.

    Hoje, porém, vivemos um momento em que a palavra “golpe” domina o debate público. Houve uma tentativa de golpe? Segundo os ministros e a Justiça brasileira, sim. E quem tentou? Representantes de um governo que, ao longo do tempo, mostrou pouco compromisso com os princípios democráticos.

    A história registra agora algo inédito: generais julgados e condenados por tentativa de golpe de Estado. O que em 1979 terminou em anistia, em 2025 é corrigido com responsabilização. Podemos divergir das decisões dos ministros, mas é inegável que este julgamento é histórico e essencial para a preservação da democracia.

    Ele ocorre justamente para que, em 2026, possamos mais uma vez exercer o direito de voto — direito pelo qual gerações anteriores lutaram e que não pode ser colocado em risco.

    Por isso, repito: eu confio na democracia brasileira. Afinal, se nós, jovens de vinte e poucos anos, não confiarmos nela, quem confiará?

    Membro da LAEP: Rafaela Melgaço

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