O que é Soft Power e como o Brasil utiliza?
O conceito de soft power, desenvolvido por Joseph Nye, refere-se à capacidade de um ator político influenciar outros por meio de fontes intangíveis de poder, como a cultura, os valores políticos e a legitimidade de suas políticas externas. Diferentemente do hard power, que se baseia na coerção, no uso da força ou em incentivos materiais, o soft power opera através da persuasão e da atração. Trata-se, portanto, de um poder que não impõe, mas que convence. Nesse sentido, o soft power consolida-se na habilidade de moldar preferências e induzir cooperação voluntária, sendo um instrumento estratégico particularmente relevante nas dinâmicas de poder contemporâneas.
Embora o termo soft power seja relativamente recente, sua ideia central não é uma novidade. Ao longo da história, o soft power produziu efeitos significativos em diversos períodos, como, por exemplo, o fortalecimento do poder francês no século XVIII, impulsionando a propagação da língua e da cultura francesa. Ressalta-se também que este conceito abrange não apenas os Estados, mas também instituições, corporações, indivíduos influentes e organizações não governamentais.
Estudos que analisam os índices internacionais de soft power, como o The Soft Power 30 e o Global Soft Power Index, mostram que o Brasil ocupa posições intermediárias no ranking global, mas se mantém como o país com maior valor de soft power da América Latina, o que reforça seu papel de liderança regional. Contudo, o Brasil enfrenta limitações estruturais que fragilizam sua capacidade de converter esse potencial em maior protagonismo político e econômico. Problemas como desigualdade social, instabilidade política e crises econômicas afetam diretamente sua credibilidade e reduzem o alcance de sua influência.
Nesse sentido, o Brasil possui espaço para expandir seu soft power caso invista de maneira estratégica em políticas de fortalecimento da cultura e da educação, estabilize sua governança e construa uma narrativa internacional positiva baseada em sua diversidade, hospitalidade e compromisso com a sustentabilidade. Dessa forma, poderia transformar sua influência simbólica em resultados mais concretos, consolidando-se como um ator de maior relevância e legitimidade.
O soft power é amplamente utilizado pelo Brasil por meio de suas artes, cultura, diplomacia, valores e imagem positiva projetada para outros países. O Brasil é reconhecido mundialmente por sua rica cultura e identidade nacional, bem como por sua diplomacia e gastronomia. Um exemplo marcante é o movimento cultural Tropicalismo, que contou com grandes nomes como Caetano Veloso — um de seus principais expoentes —, Tom Zé e a saudosa Rita Lee. Esse movimento destacou-se por suas críticas sociais durante a Ditadura Militar, utilizando músicas como forma de protesto contra o regime autoritário.
Além disso, o Brasil é conhecido como o “país do futebol”. Apesar de o esporte ter sido criado pela Inglaterra, o Brasil revelou ao mundo jogadores de renome internacional, como Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldinho Gaúcho. A Seleção Brasileira de Futebol conquistou o maior número de títulos da Copa do Mundo, consolidando o país como uma potência no esporte.
O Brasil também é amplamente reconhecido por sua diplomacia. Tradicionalmente, é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), uma prática que reflete sua relevância no cenário global. Nesse contexto, destaca-se o legado de Oswaldo Aranha, um dos mais notáveis diplomatas brasileiros, que presidiu sessões históricas da ONU, como a que culminou na criação do Estado de Israel em 1947.
Dessa forma, o Brasil utiliza o soft power de maneira estratégica, influenciando outros países por meio de suas atrações culturais, valores e diplomacia. Esses elementos contribuem para a imagem positiva do país, conectando-o com as comunidades globais, gerando aprovação e estima. Contudo, apesar de seu potencial, o soft power brasileiro vem enfrentando dificuldades, como o declínio nos rankings mundiais devido a questões como instabilidade política e má administração pública.
Autoras: Isabela Almeida e Isadora Ferreira, membros da LAEP.