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    Icei Goiás avança em abril, mas indústria segue abaixo da linha de confiança

    A confiança do empresário industrial em Goiás apresentou leve recuperação em abril, após oscilações no primeiro trimestre. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei Goiás), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), atingiu 45,8 pontos, acima dos 43,5 registrados em março. Apesar do avanço, o indicador permanece abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança no setor.

    O resultado, divulgado nesta quinta-feira (16/04), indica uma melhora gradual na percepção dos industriais. Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pela alta nas expectativas. Em abril, o Indicador de Expectativas subiu para 49,4 pontos, aproximando-se da neutralidade. Por outro lado, o Indicador de Condições Atuais recuou para 38,5 pontos, o que mostra que as dificuldades econômicas ainda afetam o presente.

    Ao longo de 2026, o Icei tem apresentado instabilidade. O índice começou o ano em 43,2 pontos em janeiro, avançou para 45,5 em fevereiro, caiu em março e voltou a subir em abril. Assim, o cenário aponta um empresário mais otimista em relação ao futuro, mas ainda cauteloso diante das condições atuais.

    Segundo o assessor econômico da Fieg, Cláudio Henrique Oliveira, a melhora recente reflete uma mudança de percepção, embora o cenário ainda exija atenção. Ele destaca que a alta está concentrada nas expectativas, enquanto as condições atuais seguem pressionadas. Dessa forma, o setor mantém cautela nas decisões de investimento e produção.

    Construção recua

    No setor da construção, os dados reforçam a desaceleração. O Icei da construção em Goiás caiu para 42,9 pontos em abril, ficando abaixo da linha de confiança após iniciar o ano em nível positivo.

    Em janeiro, o segmento registrava indicadores acima de 50 pontos. No entanto, ao longo dos meses, houve recuo contínuo. Em abril, as Condições Atuais marcaram 43,9 pontos, enquanto as Expectativas ficaram em 42,4 pontos, praticamente no mesmo nível.

    De acordo com Cláudio Henrique, esse comportamento indica maior cautela por parte dos empresários da construção. Fatores como custo do crédito, preço de insumos e menor dinamismo do mercado imobiliário ajudam a explicar essa mudança.

    Brasil em baixa

    No Brasil, o indicador também aponta perda de confiança. O Icei nacional, calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), registrou em abril o menor nível desde junho de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.

    Esse resultado mostra que a queda de confiança não é exclusiva de Goiás. Pelo contrário, reflete um ambiente econômico mais desafiador em todo o país. Custos elevados, atividade moderada e incertezas seguem influenciando o comportamento dos empresários e o ritmo da produção.

    O que mede

    O Índice de Confiança do Empresário Industrial varia de 0 a 100 pontos. Resultados acima de 50 indicam confiança, enquanto números abaixo desse patamar mostram falta de confiança.

    O indicador é formado por dois componentes. O primeiro mede as condições atuais da economia e das empresas nos últimos seis meses. Já o segundo avalia as expectativas para os próximos seis meses. Juntos, esses dados funcionam como um termômetro do ambiente econômico e ajudam a antecipar tendências da indústria no curto prazo.

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