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    Ato em Rio Verde consolida Paulo do Vale como fiador político no Sudoeste e pesa na disputa pela vice de Daniel

    Encontro reuniu cerca de 4 mil pessoas e expôs a influência do ex-prefeito na base de Caiado e Daniel

    O encontro “Pra Frente Goiás”, que ocorreu neste sábado, 9, em Rio Verde, reuniu cerca de 4 mil pessoas e funcionou como uma demonstração de musculatura política da base governista no Sudoeste goiano. O ato integra a articulação em torno dos projetos eleitorais de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República e de Daniel Vilela (MDB) ao Governo de Goiás em 2026.

    Mais do que um evento regional de mobilização, o encontro expôs o tamanho da influência do ex-prefeito Paulo do Vale (PSD), principal liderança política de Rio Verde e um dos nomes mais próximos de Caiado dentro da base governista. Ao reunir aliados, prefeitos, deputados, vereadores e pré-candidatos, Paulo reforçou a condição de fiador político do grupo no Sudoeste. Além disso, passou a ocupar posição ainda mais relevante nas articulações sobre a composição da chapa majoritária de Daniel.

    Força regional

    Ex-prefeito de Rio Verde por dois mandatos, Paulo construiu nos últimos anos uma base de poder que ultrapassa os limites do município. O grupo liderado por ele conseguiu eleger e reeleger aliados em cidades estratégicas da região. Também fez o sucessor em Rio Verde, Wellington Carrijo (MDB). Esse desempenho consolidou uma hegemonia regional que hoje pesa diretamente nas negociações internas da base governista.

    A força eleitoral do grupo também apareceu na disputa proporcional. Lucas do Vale (PSD), filho de Paulo, elegeu-se deputado estadual em 2022 pelo MDB e terminou a eleição como o segundo mais votado de Goiás. Agora, o projeto político da família passa por uma nova etapa. Lucas deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Paulo trabalha para chegar à Assembleia Legislativa.

    O evento deste sábado também serviu como lançamento político desse movimento. A presença de lideranças estaduais e o volume de público deram a Paulo do Vale uma vitrine relevante. O gesto ocorre em um momento no qual a base de Caiado e Daniel começa a calibrar seus espaços internos para 2026.

    Relação com Caiado

    A relação entre Paulo e Caiado é um dos elementos centrais dessa equação. Aliados consideram o ex-prefeito um dos nomes mais leais ao governador. Essa lealdade marcou 2018, quando Paulo deixou o MDB para apoiar Caiado na disputa pelo Governo de Goiás, mesmo com Daniel Vilela, à época no campo adversário, concorrendo ao mesmo cargo.

    Desde então, o quadro político se reorganizou. A relação entre Paulo do Vale e Daniel Vilela se reconstruiu, Lucas do Vale se elegeu deputado estadual pelo MDB e o grupo de Rio Verde passou a atuar de forma alinhada ao projeto governista. O episódio de 2018, porém, segue relevante para explicar o grau de confiança entre Paulo e Caiado. Também ajuda a medir o peso que o ex-prefeito mantém nas decisões estratégicas do grupo.

    É nesse ponto que o ato em Rio Verde ganha impacto maior. A principal disputa interna da base hoje não está na cabeça da chapa, mas na escolha do nome que ocupará a vaga de vice-governador ao lado de Daniel Vilela. Nos bastidores, a avaliação predominante é que essa definição passará pelo aval de Caiado. Como Paulo do Vale tem relação direta com o governador e forte controle político no Sudoeste, sua posição tende a ter influência real na escolha.

    Disputa pela vice

    Entre os nomes cotados, o mais sensível para o grupo de Paulo é o de José Mário Schreiner (PSD). Embora também seja aliado de Caiado e pertença ao mesmo partido, aliados de Paulo tratam Schreiner como o principal adversário político do valismo em Rio Verde. A tensão entre os dois grupos é pública e tem relação direta com a disputa pela hegemonia regional.

    O episódio mais emblemático foi a eleição de Marussa Boldrin (MDB) para a Câmara dos Deputados. À época vereadora em Rio Verde, Marussa fazia oposição direta à gestão de Paulo do Vale na prefeitura e chegou ao mandato federal com apoio da estrutura ligada a José Mário Schreiner. Aliados leram o resultado como uma demonstração de força do grupo adversário dentro da principal base política de Paulo.

    Por isso, uma eventual escolha de Schreiner para a vice de Daniel teria efeito direto sobre o equilíbrio político no Sudoeste. Para aliados de Paulo, o movimento fortaleceria justamente o grupo que mais ameaça sua hegemonia em Rio Verde e na região. Nesse cenário, o apoio do ex-prefeito ao nome de José Mário está fora de cogitação.

    A dificuldade para Daniel Vilela está no custo político dessa escolha. Perder ou contrariar Paulo do Vale em uma região estratégica não aparece como uma hipótese trabalhada pela base. Ao mesmo tempo, nomes que representam arranjos diferentes dentro do projeto governista disputam a vaga de vice.

    Nomes cotados

    Um deles é Adriano Rocha Lima (PSD), ex-secretário-geral da Governadoria e nome de extrema confiança de Ronaldo Caiado. Adriano publicou em suas redes sociais um encontro particular com Paulo do Vale e Wellington Carrijo antes do evento em Rio Verde. No entanto, interlocutores trataram a conversa como gesto de cortesia, sem aceno direto de apoio à sua eventual indicação para a vice.

    A base vê o nome de Adriano como uma opção de confiança pessoal de Caiado, mas com baixa capacidade de agregar votos à chapa. Por isso, ele tende a ganhar força apenas em um cenário no qual a escolha considere quase exclusivamente a fidelidade ao governador. Também dependeria da avaliação de que a eleição estaria politicamente encaminhada.

    Outro nome no radar é Luiz do Carmo (PSD). Ex-senador, ele tem inserção no segmento evangélico e perfil discreto, características que agradam parte da base. Sua eventual escolha permitiria a Daniel manter o foco principal da campanha em sua própria imagem. Além disso, faria um aceno direto a um eleitorado relevante na disputa estadual.

    A terceira alternativa é Gustavo Mendanha (PRD), ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e presidente da Federação PRD Solidariedade em Goiás. Ele sucedeu Maguito Vilela, pai de Daniel, na prefeitura de Aparecida e disputou o Governo de Goiás em 2022 contra Caiado. Entre os nomes colocados, é o que aparece com maior capacidade de agregar votos à chapa.

    A escolha de Gustavo faria sentido em um cenário no qual a base governista conclua que Daniel precisa de um vice com densidade eleitoral própria. Nesse caso, Mendanha também entregaria presença metropolitana e capacidade de ampliar o alcance da campanha para além do eixo já controlado pelo grupo caiadista.

    Paulo fortalecido

    O encontro em Rio Verde deixou claro que Paulo do Vale não é apenas uma liderança regional mobilizada para a eleição proporcional. Ele chega ao debate sucessório como ator com poder de veto, capacidade de articulação e influência direta sobre uma das regiões mais importantes do Estado.

    A partir do ato deste sábado, a definição da vice de Daniel passa a ter uma leitura mais objetiva dentro da base governista. José Mário Schreiner enfrenta resistência aberta no grupo de Paulo do Vale. Adriano Rocha Lima representa a alternativa da confiança pessoal de Caiado. Luiz do Carmo oferece um aceno ao eleitorado evangélico. Gustavo Mendanha aparece como o nome com maior potencial para agregar votos à chapa.

    No centro desse tabuleiro, Paulo do Vale saiu do encontro “Pra Frente Goiás” com uma posição fortalecida. A demonstração de força em Rio Verde indicou que sua influência não ficará restrita à eleição de deputados ou ao comando político do Sudoeste. Ela também deve pesar na decisão mais disputada da base governista para 2026: a escolha do vice de Daniel Vilela.

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