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    Redes sociais ganham força, mas TV e rádio ainda pesam nas eleições, diz professor Guilherme Carvalho

    Especialista avalia que propaganda tradicional ainda ajuda a tornar candidatos conhecidos, principalmente fora dos grandes centros

    As redes sociais ampliaram o espaço das campanhas digitais, mas a propaganda eleitoral no rádio e na televisão ainda mantém peso nas eleições. A avaliação é do professor Guilherme Carvalho, em entrevista a Domingos Ketelbey.

    Segundo Guilherme, até 2018, o tempo de televisão e rádio era um dos principais ativos das campanhas. Por isso, candidatos buscavam formar grandes alianças partidárias para ampliar a exposição durante o período eleitoral.

    “Até a eleição de 2018 a gente tinha uma espécie de uma receita básica: candidato que tem mais tempo de TV, mais e tempo de rádio, era o favorito nas eleições.”

    Com o avanço das redes sociais, porém, esse cenário mudou. Conforme o professor, campanhas passaram a segmentar públicos e produzir conteúdos diferentes para determinados grupos de eleitores.

    Além disso, ferramentas de tráfego pago permitem ampliar a distribuição dessas mensagens.

    Diferenças entre cidades

    O professor Guilherme Carvalho ressalta que a estratégia digital tem maior alcance nos grandes centros urbanos.

    Ele citou Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia como exemplos de cidades onde esse tipo de comunicação funciona com maior intensidade.

    Por outro lado, segundo ele, regiões mais afastadas ainda enfrentam limitações relacionadas ao acesso à tecnologia.

    Nesse cenário, televisão e rádio continuam importantes principalmente para tornar candidatos conhecidos.

    “Nós ainda teremos um desenho eleitoral bastante dependente ainda dessa comunicação tradicional, não para convencer o eleitor, mas para tornar certos candidatos conhecidos.”

    O professor definiu esse processo como um “atalho informacional”.

    Segundo ele, parte dos eleitores utiliza referências familiares, profissionais ou políticas para identificar candidatos e tomar decisões.

    Nome também pesa

    Durante a entrevista, Domingos Ketelbey citou disputas envolvendo nomes utilizados nas urnas.

    Entre os exemplos apresentados estão candidatos que tentam associar seus nomes a familiares conhecidos ou figuras políticas.

    Guilherme explicou que referências como “filho de”, “primo de”, “médico”, “doutor” ou “delegado” também podem funcionar como mecanismos de identificação entre candidato e eleitor.

    “Esse nome na urna tem um… um peso. Então tem peso, e porque, como eu disse anteriormente, é um atalho informacional.”

    Segundo o professor, muitos eleitores deixam para acompanhar a disputa eleitoral apenas nas semanas mais próximas da votação.

    Guilherme afirma que buscar informações políticas exige tempo e esforço. Por isso, parte da população prefere deixar esse acompanhamento para o último momento.

    Campanha fica mais visível

    Domingos também avaliou que a propaganda nas ruas, na televisão e nas redes sociais aumenta a percepção sobre a chegada da eleição.

    Guilherme concordou. Segundo ele, nesta fase, fica mais difícil para o eleitor não perceber a movimentação das campanhas.

    “Ela começa a observar agora porque é a hora que tá impossível não observar, tá na cara de todo mundo. E vai tá na TV e nas redes sociais de forma muito mais intensa.”

    Além disso, o professor Guilherme Carvalho afirmou que alguns eleitores chegam ao dia da votação sem uma decisão definida.

    Nesse caso, segundo ele, essas pessoas utilizam referências disponíveis próximo aos locais de votação para escolher candidatos.

    O professor relacionou esse comportamento à dificuldade de parte do eleitorado em compreender o funcionamento do sistema político e eleitoral.

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