Campanha não empolga eleitor nas ruas de Goiânia, avalia pesquisador
Representantes de institutos relatam baixo envolvimento do público e dizem que parte das escolhas pode se concentrar nos últimos dias
A campanha eleitoral em Goiânia ainda registra baixo envolvimento nas ruas, na avaliação de Mário Rodrigues Neto, da Grupom Pesquisas.
Durante entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, ele afirmou que as manifestações têm sido pequenas e que parte da população demonstra pouco interesse pela disputa.
“Não existe aquele sentimento na rua, pelo menos em Goiânia até o presente momento, de que há uma campanha e uma eleição daqui a 19 dias”, afirmou no programa Domingos Conversa.
Pouco movimento
Segundo Mário, a presença de bandeiras e outras peças de propaganda não significa, necessariamente, mobilização do eleitor.
Além disso, o pesquisador avalia que as preocupações do cotidiano continuam ocupando a atenção de parte da população.
“Até o volume daquelas manifestações em praças é pequeníssimo”, disse, ao comparar o cenário com eleições anteriores.
Assim, na avaliação dele, a campanha eleitoral em Goiânia ainda não alcançou o mesmo nível de envolvimento percebido em outras disputas.
Propaganda sem atenção
Para Mário, a dificuldade das campanhas vai além da quantidade de conteúdo produzido pelos candidatos.
Embora exista divulgação, ele considera que parte dos eleitores não demonstra interesse em acompanhar as mensagens.
“Comunicação pressupõe quem fala e quem escuta”, afirmou.
Nesse contexto, o pesquisador relatou que alguns eleitores ainda desconhecem as ligações entre candidatos e aliados.
Por isso, segundo ele, a movimentação política não chega a toda a população da mesma forma.
Além disso, Mário rejeitou a ideia de atribuir o distanciamento apenas à falta de recursos ou de propaganda.
Na avaliação dele, o interesse de quem recebe a mensagem também interfere diretamente no alcance da comunicação.
Baixo engajamento
Kim Maquerini, da Santa Dica Pesquisas, também participou da entrevista.
Segundo ele, houve uma mudança no envolvimento da população com as eleições em comparação com anos anteriores.
Além disso, esse comportamento dificulta até a coleta de entrevistas.
Os profissionais, segundo Kim, precisam dedicar mais tempo à abordagem e ao convencimento das pessoas para participar dos levantamentos.
Ao mesmo tempo, ele relatou uma evolução lenta nas respostas espontâneas.
Nesse tipo de pergunta, o eleitor informa seu candidato sem receber previamente uma lista de nomes.
Decisão no fim
Por isso, Kim considera possível uma concentração das decisões de voto nos últimos dias da campanha.
Na avaliação do pesquisador, o baixo engajamento observado agora pode dar lugar a um processo mais acelerado de escolha.
“As pessoas vão tomar essa decisão do voto que a gente não sabe o que vai acontecer”, afirmou.
Dessa forma, os dois pesquisadores apontam sinais de baixo envolvimento com a campanha eleitoral em Goiânia, além da possibilidade de decisões mais tardias entre parte do eleitorado.