Esquerda discute voto útil em Vanderlan e Zacharias na reta final do Senado em Goiás
Manifestação de Bia de Lima ampliou o debate sobre o uso estratégico do segundo voto; pesquisas mostram diferenças entre os institutos e mantêm vários candidatos numericamente próximos
A discussão sobre voto útil no Senado em Goiás ganhou espaço na reta final da campanha. Vanderlan Cardoso (PSD) e Zacharias Calil (MDB) passaram a aparecer em conversas de setores da esquerda que avaliam usar uma das duas escolhas para senador de forma estratégica.
Nesta terça-feira (29), o movimento ganhou maior visibilidade depois que a deputada estadual Bia de Lima (PT) defendeu publicamente voto útil em Vanderlan.
A parlamentar, porém, apresentou a manifestação como uma posição pessoal e fora dos acordos da coligação, que possui candidaturas próprias ao Senado.
Ao mesmo tempo, Zacharias também passou a aparecer em debates nas redes sociais e em grupos políticos ligados à esquerda. Parte desses eleitores discute apoiar candidatos que considera competitivos na disputa com Gustavo Gayer (PL).
Pesquisas mostram diferenças
Os levantamentos citados apresentam cenários diferentes para a corrida pelas duas vagas.
Na Quaest divulgada em 24 de setembro, Gracinha Caiado aparece com 21%, enquanto Gustavo Gayer registra 13%.
Na sequência, Zacharias Calil tem 12%. Já Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha aparecem com 8% cada.
Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, os números colocam Gayer, Zacharias, Vanderlan e Mendanha em faixas que se sobrepõem dentro do intervalo da pesquisa.
Além disso, o Goiás Pesquisas divulgado no dia 27 apresentou outro desenho.
Nesse levantamento, Gracinha registra 21,6%, Gayer aparece com 21,1% e Zacharias soma 18,2%.
Assim, a comparação entre institutos mostra variações importantes na reta final e não permite tratar um único levantamento como retrato definitivo da disputa.
Debate sobre voto útil
É nesse ambiente que ganhou espaço a discussão sobre o voto útil no Senado em Goiás.
A lógica defendida por alguns eleitores consiste em manter uma candidatura preferencial em um dos votos e usar a segunda escolha para outro nome considerado capaz de disputar uma das vagas.
No entanto, não existe até agora um movimento único ou formal de toda a esquerda em favor de Vanderlan ou Zacharias.
A manifestação pública citada no material partiu de Bia de Lima em relação a Vanderlan. Já as discussões sobre Zacharias aparecem principalmente em redes sociais e grupos políticos.
Por isso, o tamanho desse movimento e sua capacidade de alterar a votação ainda não podem ser medidos pelos dados apresentados.
Direita entra na equação
A tentativa de buscar votos em diferentes campos políticos também cria um desafio para as candidaturas.
Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu 58,71% dos votos válidos em Goiás na eleição presidencial, enquanto Lula teve 41,29%.
Além disso, Ronaldo Caiado conquistou a reeleição para o Governo de Goiás no primeiro turno naquele ano.
Esses resultados mostram o peso eleitoral recente de candidaturas associadas à direita no estado.
Por isso, Vanderlan e Zacharias precisam administrar a busca por novos votos sem necessariamente perder eleitores já vinculados às suas bases.
Ainda assim, o material apresentado não traz dados capazes de medir se uma aproximação com eleitores de esquerda provocaria perda entre segmentos conservadores.
Dois votos ampliam estratégias
A eleição deste ano tem uma característica importante: cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes para o Senado.
Dessa forma, uma pessoa pode manter seu candidato principal e usar a segunda escolha com outra lógica eleitoral.
Esse formato amplia as possibilidades de combinação entre candidatos de partidos e campos políticos diferentes.
Além disso, abre espaço para campanhas tentarem conquistar justamente o chamado segundo voto.
Nesse cenário, Vanderlan e Zacharias buscam ampliar presença entre eleitores que já podem ter uma primeira escolha definida.
Reta final em aberto
O debate sobre voto útil no Senado em Goiás ocorre enquanto as pesquisas citadas apresentam diferenças relevantes entre os institutos.
Na Quaest, Gayer marca 13%, Zacharias 12%, enquanto Vanderlan e Mendanha aparecem com 8%.
Já no Goiás Pesquisas, Gayer registra 21,1% e Zacharias, 18,2%, atrás de Gracinha, que aparece com 21,6%.
Portanto, os levantamentos retratam momentos e metodologias diferentes. Eles não permitem determinar antecipadamente quais candidatos conquistarão as duas vagas.
Pesquisas citadas
Quaest/TV Anhanguera
Campo: 20 a 23 de setembro de 2026
Entrevistados: 804
Margem de erro: 3 pontos percentuais
Confiança: 95%
Registro no TSE: GO-01667/2026
Goiás Pesquisas/Mais Goiás
Campo: 24 e 25 de setembro de 2026
Entrevistados: 1.250
Margem de erro: 2,77 pontos percentuais
Confiança: 95%
Registro no TSE: GO-09899/2026