Wilder chega à reta final isolado até entre bolsonaristas, que relutam em apoiá-lo
Falta de apoio explícito de nomes como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira se soma a divergências internas, perda de prefeitos do PL e desgastes acumulados durante a campanha em Goiás
Wilder Morais (PL) chega à reta final da disputa pelo Governo de Goiás enfrentando um problema que ultrapassa a concorrência com seus adversários.
Dentro do próprio campo bolsonarista, manifestações recentes expuseram dificuldades de articulação e diferenças entre o candidato e algumas das principais lideranças nacionais da direita.
O episódio mais recente ocorreu na quinta-feira (1º). Eduardo Bolsonaro divulgou uma lista de candidatos apoiados em Goiás e pediu votos para Gustavo Gayer, ao Senado, e Fred Rodrigues, à Câmara. Wilder, candidato do próprio PL ao governo, não apareceu na relação.
Por que lideranças bolsonaristas relutam tanto em apoiar Wilder Morais
A ausência de Eduardo não foi um episódio isolado.
Em setembro, Nikolas Ferreira (PL-MG) também divulgou uma relação de candidatos apoiados em Goiás sem incluir Wilder. Na ocasião, citou Gustavo Gayer, Oséias Varão e outros nomes. Posteriormente, Nikolas fez uma nova publicação com apoio ao candidato do PL ao governo.
Assim, os episódios passaram a alimentar questionamentos sobre o grau de integração de Wilder com setores nacionais do bolsonarismo.
No entanto, as razões para essas ausências não foram apresentadas publicamente por Eduardo Bolsonaro ou Nikolas Ferreira.
Reportagens sobre os bastidores do PL apontam resistência interna e dúvidas sobre a candidatura desde o início do ano. Em fevereiro, uma reunião convocada para consolidar o projeto de Wilder registrou baixa presença de lideranças e expôs divergências dentro da legenda.
Relação com Gayer teve divergências
O relacionamento político entre Wilder e Gustavo Gayer também passou por momentos de tensão.
Em fevereiro, Gayer questionou publicamente o respaldo nacional à candidatura de Wilder. O deputado chegou a dizer que aguardaria confirmação de Flávio Bolsonaro sobre o aval atribuído a Jair Bolsonaro pelo senador goiano.
Naquele período, parte do PL defendia uma composição com o grupo de Daniel Vilela (MDB), enquanto Wilder insistia na candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas.
Além disso, Gayer defendia uma estratégia eleitoral diferente para o partido em Goiás.
As divergências ajudaram a expor publicamente uma divisão que já existia dentro da legenda.
Ausência na votação de Messias gerou críticas
Outro episódio usado por adversários internos para questionar Wilder ocorreu durante a votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O Senado rejeitou a indicação em abril por 42 votos a 34. Wilder, embora tivesse declarado oposição ao nome indicado pelo presidente Lula, não participou da votação em plenário.
Depois disso, a ausência passou a aparecer nas críticas dirigidas ao senador por integrantes da direita goiana.
Reportagens de bastidores também registraram avaliações internas de que Wilder teria comportamento menos alinhado ao enfrentamento adotado por setores mais próximos do bolsonarismo. Essas avaliações, porém, representam opiniões de integrantes do grupo e não uma posição oficial do PL.
Da mesma forma, referências a um suposto percentual de votações de Wilder alinhadas ao governo Lula aparecem em relatos de bastidores. Sem uma metodologia pública consolidada que permita aferir esse índice, o dado deve ser tratado como avaliação política, e não como estatística definitiva.
Prefeitos do PL também se afastaram
O desgaste não ficou restrito às lideranças nacionais.
Ao longo de 2026, prefeitos eleitos pelo PL em Goiás passaram a apoiar Daniel Vilela, adversário de Wilder na disputa pelo governo.
Ainda em fevereiro, levantamento publicado pelo Jornal Opção apontava cinco prefeitos do PL alinhados a Daniel e oito com Wilder. Nos meses seguintes, novas adesões ao governador ampliaram a divisão interna.
O caso de maior repercussão envolveu Márcio Corrêa, prefeito de Anápolis.
Corrêa declarou apoio a Daniel Vilela e entrou em confronto público com Wilder. Depois de ser criticado pelo senador, o prefeito respondeu com expressões como “sabor Cachoeira”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”.
Além disso, Daniel Vilela conseguiu reunir apoio de grande parte dos prefeitos goianos durante a campanha. Em agosto, o presidente da Associação Goiana dos Municípios afirmou contabilizar 223 prefeitos favoráveis ao governador.
Reta final expõe dificuldades internas
A resistência a Wilder Morais dentro do PL tornou-se um dos elementos políticos da reta final da campanha em Goiás.
A ausência em listas de apoio, as divergências com integrantes do partido e o afastamento de prefeitos mostram que a candidatura enfrentou obstáculos também dentro de seu próprio campo político.
Por outro lado, Wilder manteve apoio de integrantes do PL e recebeu manifestações favoráveis de lideranças bolsonaristas em diferentes momentos da campanha. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, havia declarado apoio ao senador meses antes da lista divulgada nesta semana.
Portanto, o cenário não significa ausência completa de apoio bolsonarista.
O que os episódios revelam é uma relação marcada por avanços, recuos e divergências dentro do próprio partido.
Por fim, a resistência a Wilder Morais dentro do PL chega à véspera da eleição como um dos pontos de atenção da campanha do candidato ao Governo de Goiás.