Daniel freia corrida pela presidência da Alego, mas deputados seguem em articulação
Governador sinaliza que discussão deve esperar o segundo turno presidencial; reeleitos tentam construir acordo, enquanto novos parlamentares ganham peso na sucessão de Bruno Peixoto.
A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) ganhou um novo capítulo após as eleições de 4 de outubro. O governador Daniel Vilela (MDB) sinalizou a deputados estaduais que considera precipitado acelerar as negociações pelo comando da Casa. Apesar disso, parlamentares reeleitos e integrantes da próxima legislatura continuam movimentando os bastidores em busca de apoio para o biênio 2027–2028.
Segundo informações publicadas pela coluna Giro, de O Popular, neste sábado (10), Daniel conversou com deputados ao longo da semana e demonstrou preferência por adiar as definições. O entendimento no Palácio das Esmeraldas é de que o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, deve concentrar as atenções políticas neste momento.
A movimentação ocorre após o Transmissão Política revelar que ao menos dez nomes já participam das articulações pela presidência da Alego. Entretanto, a quantidade de interessados ainda não se traduziu em candidaturas consolidadas ou acordos de votação.
Reeleitos tentam construir unidade
Um dos movimentos mais importantes ocorreu na quarta-feira (7), quando 21 deputados reeleitos participaram de uma reunião na residência de Jamil Calife (PP). O atual presidente da Assembleia, Bruno Peixoto (União Brasil), também participou do encontro.
A reunião abriu espaço para a construção de um bloco entre os parlamentares que permanecerão na Casa. Parte desse grupo defende que o próximo presidente seja um deputado reeleito. Nesse cenário, Issy Quinan (MDB), Virmondes Cruvinel (União Brasil), Wilde Cambão (União Brasil) e Jamil Calife aparecem entre os nomes discutidos.
Por outro lado, a articulação ainda não representa um compromisso de voto entre todos os participantes. Além disso, Bruno Peixoto, eleito deputado federal, continua participando das conversas sobre a própria sucessão.
O cenário ganhou outro componente após o deputado Delegado Eduardo Prado (PL) declarar que também pretende disputar a presidência. Em entrevista ao jornal O Hoje, ele afirmou contar com o apoio de Bruno Peixoto. A declaração acrescenta mais um nome às negociações, mas não representa uma candidatura já definida pelo grupo do atual presidente.
Novos deputados podem mudar a disputa
A renovação da Assembleia será um dos fatores centrais na escolha da próxima Mesa Diretora. Dos 41 deputados eleitos, 22 conquistaram a reeleição, enquanto 19 não integram a atual composição da Casa. Portanto, quase metade dos votos estará nas mãos de parlamentares que chegam ou retornam ao Legislativo em fevereiro.
Essa divisão impede que os grupos atuais tratem a sucessão como uma decisão já resolvida. Para vencer a votação em primeiro turno, um candidato precisa alcançar a maioria absoluta de 21 votos. Dessa forma, o diálogo com os novos integrantes será decisivo para qualquer composição.
Entre os nomes que podem participar das negociações está Lissauer Vieira (PL), que presidiu a Alego entre 2019 e 2023 e retorna ao Parlamento estadual. Já Paulo do Vale (PSD), ex-prefeito de Rio Verde, também aparece nas conversas sobre o comando da Casa.
O MDB, partido de Daniel Vilela, terá a maior bancada, com sete deputados. A legenda reúne interessados como Cairo Salim e Paulo Cezar Martins, além de Issy Quinan. Contudo, nenhum deles reúne, até o momento, apoio público suficiente para assegurar a presidência.
Daniel terá papel nas negociações
A posição de Daniel Vilela acrescenta uma variável à disputa. Reeleito governador no primeiro turno, ele terá de construir uma relação com a nova Assembleia para conduzir os projetos do Executivo a partir de 2027.
Além disso, a escolha da presidência envolve a composição da Mesa Diretora e o comando das comissões legislativas. Esses espaços fazem parte das negociações entre os partidos, mesmo quando os deputados buscam uma chapa de consenso.
O deputado Cairo Salim já defendeu que o governador acompanhe as conversas sem impor um candidato. Issy Quinan, por sua vez, também manifestou preferência por uma composição única, embora seu nome continue entre os citados para o cargo.
Enquanto isso, as diferentes bancadas mantêm abertas as possibilidades de entendimento. A eleição da nova Mesa Diretora está marcada para 1º de fevereiro de 2027, quando os 41 deputados tomarão posse.
Até lá, a disputa pela presidência da Alego dependerá da construção de acordos entre parlamentares reeleitos, novos integrantes e lideranças partidárias.